sexta-feira, 23 de julho de 2010

bônus*

quatro

ABERTA PARA A VIDA

Ainda pensei em Bernardo enquanto tentava me ajeitar na cama e meu corpo todo doía e continuei querendo que ele viesse. Pensei em João. Poderia ser o jeito de deixar Bernardo para trás.

E foi João quem estranhou a ligação depois de uma semana e foi menos caloroso do que eu esperava. Vai ver que já me jogou no arquivo morto. E daí? Avisei que estava bem e queria agradecer pela ajuda. Ah, o meu dente? O dentista colocou outro no lugar. E com você, tudo bem? Ele ainda estava na produtora, ouvi vozes ao fundo. Àquela hora? João se desculpou, precisava terminar um trabalho. Não duvidei, apesar da decepção com o corte.

Para minha surpresa na noite seguinte ele retornou a ligação mais relaxado. Falamos daquele dia e rimos, o convite surgiu despretensiosamente. Um chopp? Era hora de enterrar Bernardo de vez.

João não demorou a aparecer na porta. Depois de ter as duas mãos beijadas de maneira sedutora vi que a noite prometia tudo, menos monotonia. Vou tomar um banho, se quiser tem cerveja na geladeira. Em seguida eu estava no chuveiro. Girls just want to have fun... Incluí por conta própria o sexo depois do chopp, não haveria de faltar sexo. Imaginei como seria a noite com um cinquentão como João e me deixei levar pelos devaneios. Ele me esperava na sala, ali do lado... Percorri os caminhos que bem conhecia com as mãos ensaboadas. Eu não tinha chuveirinho, usei os dedos,. Gostava desse contato, a água morna escorrendo, vapores, o vai-e-vem preguiçoso. Assim a vida seguiria normalmente sem o passado recente me aborrecendo. E quando eu me referia a passado estava falando de Bernardo.

Quarenta e cinco minutos depois voltei à sala. Depilação na medida. Saltos vertiginosos e dinheiro contado na bolsa, eu não precisava de mais nada. Mas João pediu que eu sentasse. E me olhou de um jeito que até perdi a vontade de sair. Ai, João. Ele elogiou minha sandália, aquela dourada de Karen. As tiras subiam pelas pernas e os olhos dele acompanhavam o couro dourado que me envolvia. João pediu com naturalidade que eu tirasse a roupa. Não as sandálias, deixou isso bem claro. É algum fetiche? Será que ele bebeu? Oh, meu Deus! Hesitei diante da novidade. Tem que ser já? Ele fez que sim, tão calmo que acabei relaxando.

Levantei, me pus sobre os saltos e comecei a tirar a blusa. Era a primeira vez que eu tirava a roupa assim, sendo observada. Tudo bem, no fundo era divertido ver as reações do cara ali na minha frente. Excitadíssimo, passando a mão no pau e encarando meus peitos como um tarado. A saia, joguei na cara dele querendo que viesse logo para cima. Eu queria. João queria? O estranho é que ele continuava com os olhos fixos em mim, ia dos pés aos peitos e esfregava o pau com mais força por cima da calça e eu não sabia mais o que fazer. Quando fui tirar a calcinha ele me puxou para seu colo. Caí desajeitada, de bruços, ele puxou a calcinha até a metade das coxas, alisou bem a bunda e depois me bateu. Que porra é essa? Me assustei, ele não se intimidou. Incrível foi que quase nem doeu, mas no começo me senti constrangida, sem saber como agir.

Fizemos no sofá, eu com os saltos virados para cima, pontiagudos e perigosos, a bunda pegando fogo, toda dormente. Não vi mais olhar de louco dele, aceitei e me entreguei como uma boa menina. Ele queria ficar no comando e eu dei todos os sinais de que estava aberta à proposta.


- Tem um cigarro aí?
- Não. Você ainda quer sair?
- Outro dia.
- Amanhã?
- Não, vou trabalhar. É minha estreia. Sou cantora, sabia?
- E nós?
- O que é que tem?
- Vamos nos ver de novo?
- Pode ser.
- Pode ser? Você é muito cínica.
- E você é muito tarado. Vem, hoje minha prima vai demorar. Dá pra você tirar essa camisa? Eu quero ficar por cima.

E fiquei.



* Ah, deu vontade, vai...

11 comentários:

Cayo Candido disse...

Muito bom! Mesmo!

Luna Sanchez disse...

"Quase nem doeu" foi a melhor parte!

Homem no comando é sinônimo de paraíso, sempre, sempre!

Beijo, beijo, Li.

ℓυηα

Dai disse...

Alline,

esses contos são estão assim...de dar água na boca o0

=*

Raphael Rocha Lopes disse...

Alline, Alline...

Rose disse...

Vasculhei seu blog e gostei. Você tem uma prosa envolvente, gostosa de ler, quando termina a gente fica que nem criança, pedido mais com talo de algodão doce na mão.
Vou sempre dar uma olhadinha por aqui.Já te sigo. Abraço.

Eder Asa disse...

Sei que "Eu não tinha chuveirinho, usei os dedos." é o melhor microconto erótico que já li.

Marco Henrique Strauss disse...

Hahahahahahaha! Muito bom; sempre bom. Parabéns. "bônus" aprovado.

http://marcostrauss.blogspot.com/

Milene disse...

Muito bom pra apimentar a semana! Beijos!

Eraldo Paulino disse...

Eu quase ia dizendo que fiquei de pau duro, mas como sou educado, não vou dizer que fiquei de pau duro, afinal de contas, dizer que estou de pau duro agora não poderia expressar o que sinto...

Dizer que estou de pau duro...

ora, onde já se viu, né?

Bjs de quem está com pau duro!

Albatroz disse...

Caliente! E o Bernardo se...... por aí. kkkkk.
Fantasiar é MMMMuuuuuuuiiiiiiiiittttttttooooooooooo bommmmmmmmmm
Beijos!

Albatroz disse...

Pow, não consigo um encontro ao acaso desses!!!! kkkkkkk
Acho que as mulheres se escondem.
Parabéns pela narrativa.
beijos.