quinta-feira, 18 de novembro de 2010

vinte e um

MARCADA


- Acabou?
Eu estava de bruços na cama dele, esperando a caneta desenhar linhas da esquerda para a direita, até o fim das costas. Deslizava freneticamente às vezes, depois fazia pausas gigantescas e me deixava curiosa. Caio tinha prometido uma música para mim e queria que eu sentisse as palavras na pele.

- Ainda demora?
- Só mais um pouco.
- Você já fez isso alguma vez?
- Eu quis fazer há um tempo, mas a garota não topou.
- Você gostava dela?
- Muito.
- Ela não sabe o que perdeu.
- Você se importa com isso?
- Não. E você?
- Agora eu me importo com você.
- Não brinca – me virei, ele me segurou.
- Eu vou amar você de um jeito que você nunca foi amada.
- Você me assusta! – tentei ficar de barriga para baixo de novo, mas ele sentou nas minhas coxas. – Caio, me deixa ir.
- Não. Você vai ser minha?
- Não!
- E se eu arrancar essa calcinha com os dentes?
- Eu vou correr pro chuveiro e você nunca mais vai ver sua música.
- Nem você.
- Mas eu queria tanto saber o que você escreveu...
- O que você faria para descobrir?
- Lamberia seu dedão do pé.
- Isso não me interessa.
- Beijo de língua de duas horas?
- É pouco.
- Já sei o que você quer.
- Adivinha.
- Quer que eu te chupe?
- Hoje não.
- Então...
- Se masturba pra mim.
- Eu?
- Tá vendo outra moça de peitinho de fora aqui?
- Mas por quê?!
- Eu quero ver como minha namorada faz sem mim.
- Quem disse que eu sou sua namorada?
- Se não é, está convidada. Quer?
- Vou pensar no seu caso.
- Aguardarei uma eternidade por uma palavra sua.
- Você pensa que é só estalar o dedo?
- Claro que não. Primeiro eu vou puxar sua calcinha até os joelhos, depois vou beijar sua boca, e morder seus mamilos. Você vai ficar desinibida e rouca, e aí eu vou poder te ver.
- E aí você vai cantar pra mim?
- Bingo!

O roteiro descrito por Caio me persuadiu. Eu tive um pouco de vergonha quando percebi que ele me olhava fixamente e tapei os olhos com a calcinha.

- Olha pra mim - ele pediu.

Joguei a calcinha na cabeça dele. Não era ruim, era esquisito ter alguém ali me espiando tão de perto. Acho que não dá pra voltar atrás. Hesitei, ele sorriu e me encorajou, então toquei os pelos e parei. Apenas mais uma troca de olhares para eu afundar os dedos e prosseguir sem me desviar do olhar dele. E fui avançando até me sentir confortável com a pressão lá onde ele tanto ansiava. Mesmo que quisesse, não conseguiria mais parar, não podia. Agora não.

A suavidade dos movimentos que começaram aquela loucura toda deu lugar à impaciência dos dedos que procuravam, apertavam, rodeavam, remexiam, queriam arrancar o prazer de mim e mostrá-lo a ele. Ele, que permanecia imóvel e silencioso aos meus pés, se satisfazia com a agitação que não acabava mais entre minhas pernas. E eu continuava desperta, atenta para o abrir e fechar, as ondulações crescentes que avisavam que eu estava pronta e ia gozar alucinadamente. Logo. Mas não ia sossegar até ouvir a música, aquela que fora marcada de propósito em minha pele. Só para mim.



8 comentários:

Janderson disse...

Uau! Cada vez mais sexy os capítulos.
Já te disseram que deveriam te pagar para escrever livros assim?
Teu
J

Eraldo Paulino disse...

Taí uma coisa que eu adooooro também...

Pena que nem todas são assim adoravelmente doidas como a Nina

Bjs!

Luna Sanchez disse...

Ui!

Eu não sou muito chegada a ser observada, mas essa situação citada no post é uma exceção, acho que a única. Tenho vontade de fazer isso e fazer bem assim, sem desviar o olhar do olhar.

Pronto, fim do momento confissão...rs

Nina tem cheiro de liberdade, adoro isso, Li! =)

Beijocas, ótimo fds pra ti, gatona!

ℓυηα

Alline disse...

Jand:
Ah, bem que eu gostaria de um trabalho desses. =P
Beijo!
tua
A.

----------

Eraldo:
Às vezes penso que há uma pitada de Nina em muitas mulheres, mas Nina por completo não existe por aí. Ó... rsrs

Beeeeijo

---------

Luna:
Acho a situação excitante, mas intimidadora ao mesmo tempo. Nessa tem que ter muita cumplicidade, senão não rola.

A ideia é boa, né? Vamos aderir sem vergonha de ser feliz. rsrs

Ela ainda via aprontar mais, espera.

Beeeeeeeijo!

A Mina do cara! disse...

Que situação, hein...

não é por nada, mas acho que ela não namora...

um beijo

Alline disse...

A Mina do cara:
Totalmente pega de surpresa, a coitadinha. rs

Vamos ver se ela não namora. Se gostar, acho que arrisca, viu? ;)

Outro beijo

Nanda disse...

Cada vez mais Nina surpreende com seu ''ar'' desinibido e intimidador! Gosto do jeito que ela vive, com liberdade, fazendo o que quer! Aliás, ela consegue o que quer sempre! rs Mas ainda acho que falta algo nela... um grande amor, um de arrebentar! E o Tom? O Bernardo? E o ''casinho'' com a prima Karen? Ah! Tô anciosa pro próximo cápitulo que vem aí! hehehe Parabéns Aline, textos cada vez mais elaborados e intensos! Bjs

Nanda disse...

Cada vez mais Nina surpreende com seu ''ar'' desinibido e intimidador! Gosto do jeito que ela vive, com liberdade, fazendo o que quer! Aliás, ela consegue o que quer sempre! rs Mas ainda acho que falta algo nela... um grande amor, um de arrebentar! E o Tom? O Bernardo? E o ''casinho'' com a prima Karen? Ah! Tô anciosa pro próximo cápitulo que vem aí! hehehe Parabéns Aline, textos cada vez mais elaborados e intensos! Bjs