quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pra quem não sabe, eu conto agora. Tinha um projeto erótico iniciado há quatro anos. Ano passado terminei, até que enfim! Mandei pra algumas poucas editoras que ainda recebem originais de autores desconhecidos e procuro uma brecha. Enquanto ela não vem vou me divertir por aqui com essas coisas que escrevi.
Fica uma versão ligeiramente reduzida, um tantinho censurada, e que nada tem de autobiográfica, OK? Toda quinta trago uma parte nova.

Deu nisso ler Anaïs, Bukowski... e outros atrevidos...


zero

FLORIPA-SÃO PAULO

Seis e meia no meu relógio. Olhei para fora: São Paulo! Eu sei, devia ter me despedido direito de Chico e seu Érico, mas a euforia foi mais forte, não pensei em toda aquela loucura de ir embora, só fui em frente arrastando as malas. Disse que ligaria quando pudesse, Deus sabe quando seria isso, dei um beijo na bochecha de cada um e corri para não perder o ônibus. Ei, me espera! Nem olhei para trás, sabia que os dois estavam aliviados de me ver partir e tinham seus motivos. Eu também, porque pensava em um destino diferente.

Vi muita gente na rodoviária, menos Karen. Procurei um cigarro na bolsa, no meio da bagunça, e não achei. Um menino me cutucou, queria um trocado, qualquer moedinha para ajudar a mãe. Por favor, moça. Fingi que não era comigo, ele insistiu, fez cara de coitado, tive pena. De repente é pra comer mesmo... Abri a bolsa de novo, tirei dez centavos de algum canto. Ele me olhou de cara feia, mas arrancou a moeda da minha mão e me deu as costas resmungando..

Sentei. Se Karen não aparecesse, eu teria que me virar. Da cidade só conhecia a região perto do apartamento dela e alguns bares da vizinhança. Não sabia andar de metrô nem como pegar um ônibus. Que merda! Liguei mil vezes e deu sempre fora de área. Por que é que quando a gente mais precisa o celular dos outros não está disponível? Sem cigarro, comecei a roer as unhas.

Seu Érico liberou a viagem confiando que com a prima por perto sua caçula andaria na linha. Pobre do meu pai... Se eu quisesse sumir nem Karen nem ninguém me seguraria. Mas ela tinha seus méritos. Ela me ensinou a segurar um cigarro com classe e quando cismei de namorar o menino mais lindo da escola ganhei umas aulas caprichadas de beijo de língua. Nunca contei a ninguém – nem a ela –, mas Karen beijava muito melhor que ele.

Acenei quando a vi chegando esbaforida. Ela veio e me abraçou e me apertou e já começou a tagarelar sobre o congestionamento, era para eu ir me acostumando. E lá fomos nós.

O apartamento era bacana, meio pequeno, mas ensolarado e colorido. Fundos, dois quartos. Me instalei no que servia de escritório. Karen havia colocado um sofá-cama entre a máquina de costura e o computador. Não era o lugar mais confortável do mundo, mas eu não tinha escolha.

Mal larguei minhas coisas ela se despediu dizendo que as toalhas ficavam na cômoda e que se eu quisesse comer tinha salada e frutas na geladeira, qualquer dúvida era só ligar para o número perto do telefone. Não sou besta, já tinha devorado duas coxinhas no ônibus e fui logo me espalhar na cama do outro quarto. De casal, dessas king size, boas para rolar a noite toda. Mas sem esses lençóis de cetim escorregadios do caralho!

Ia só testar o colchão, já que lá em casa nunca teve esses luxos. Só um pouquinho, vai... Acabei pegando no sono e dormi quase o dia todo, acho que até ronquei. Quando acordei ainda estava sozinha. O que se faz nessas horas? Fui dar uma vasculhada no armário. Tentação. Passei os olhos pelos vestidos, mas o que me interessou foi a prateleira de sandálias. Várias, arrumadas lado a lado. Tirei algumas e calcei a dourada, salto altíssimo, com tiras que subiam pelas pernas, muito sexy. Eu desfilava pelo quarto quando Karen chegou.

- Eu arrumo tudo como tava.
- Espero que sim. Conseguiu dormir?
- Consegui dar uma relaxada. Nossa, que cama, hein?
O corte:
- Já tomou banho?
Fiquei sem graça:
- Não, esqueci.
A boa surpresa:
- Vem, vamos jogar uma água no corpo.

Não poderia haver ideia melhor do que tomarmos banho juntas. Meu cabelo batia nas costas e Karen sempre gostou de cuidar dele quando ia passar as férias lá em casa. Eu sentava entre suas pernas e ela me penteava até cansar, era como se eu fosse sua boneca, a preferida.

Ela não tinha perdido a mania e continuava com as mãos delicadas. Passou xampu e me deixou com uma peruca de espuma branca que custava a se desmanchar. Sem querer – ou não – me roçou as costas com o bico dos seios. Não me afastei, era um toque sutil, fazia cócegas. Encostou os quadris, senti os pelos dela na minha bunda. Me virei. Nos abraçamos com o resto da espuma e rimos enquanto a água escorria entre nós. Ficamos debaixo d’água até a ponta dos dedos murchar.

Naquela noite não precisei ir para o sofá-cama. O sono não vinha, por isso Karen me chamou para a cama dela e me fez cafuné. Tudo era novo pra mim. Aos poucos fui me acostumando com os lençóis. Cheguei mais perto de Karen, me agarrei às suas coxas e me permiti enfim sonhar.

10 comentários:

Dual disse...

Rieccomi a gironzolare nel tuo blog e lasciarti un salutino.
http://remenberphoto.blogspot.com/

Marco H. Strauss disse...

Ousado. Estava meio sem tempo para passar no Blog, mas cá estou eu novamente. Esperarei pelas próximas partes, realmente bom. hahaha

passadinha se o tempo e a vontade permitir:
http://marcostrauss.blogspot.com/

Luna Sanchez disse...

Alline, me diz uma coisa, aqui, de cantinho : era pra dar tesão?

Sei lá, mas deu.

Rs

Beijo, beijo!

ℓυηα

Alline disse...

Dual:
Opa, brigada pela visita de longe!
O Google me deu uma mãozinha pra você me entender...
Grazie per la visita.
Saluti a te =D

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Marco:
Ousado. E com o tempo vai piorando... hehehe
Passo lá hoje ou amanhã.
Valeu!

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Luna:
É, é por aí mesmo...

A próxima parte ainda é mais morninha, como essa, depois é que começa a esquentar. Roarrrr! hehehe

Beeeeeeijo pra ti!

Allyne Araújo disse...

teu livro ta demais!!!!!! srsrs beijaoooooooo!!!!!!!!!
quando sair eu quero autografo!!!!! viu?! srsrsrs

Noslen ed azuos disse...

...é dá até para sorrir junto no banheiro cheio de espuma, muito boa sua crônica.

ns

Sylvia Araujo disse...

Hoje já é quinta, né? Publica logo, Allinne. rsrs

Beijo

Dai disse...

Ó, gosto de vir no seu blog com tempo. Ás vezes não tô com tanto saco pra ler (depois de ter lido tanto no trabalho) que nem acompanho tuuudo certinho. Mas quando entro na minha lista de blogs, você é um dos primeiros que leio.

Muito bom.

=*

Alline disse...

Nine:
Se um dia sair alguma coisa por aí te chamo, podes ter certeza. rsrs
Beijão!

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Noslen:
Sorrimos sorrisos espumosos!
Brigada =)

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Sylvia:
Quinta vai chegar. ;)
Tenho que dar uma encurtada no texto ainda.

Beijo

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Dai:
Eu sei como é. Se conseguisse, eu também lia e comentava sempre.
Bacana isso que me dizes, viu? É um santo remédio pra levantar meu astral em dia de TPM braba... rsrs

Beeeeeeeeijo

Wania disse...

Oi, Alline


Vim retribuir a tua visita ao meu Encantaventos. Este teu lugar é bom demais!

Adorei as COISAS E COISAS que encontrei aqui! Da ficção à vida real, da Nina à poesia, enfim de TUDO!



Parabéns, Voltarei mais vezes!

Bj grande,
Wania