domingo, 13 de junho de 2010

Cena 1

A mulher entra no apartamento. Hesita antes de acender a luz da entrada. Larga as chaves no cinzeiro e caminha pelo corredor enquanto começa a tirar a roupa. Pela expressão parece cansada. Pega o robe sobre a cama e vai até a cozinha. Alguém a observa na escuridão sem que ela se dê conta. Ela solta os cabelos e abre a geladeira. Para alguns segundos, depois serve-se de um copo e bebe. Ela acha que ouviu um barulho e quando se volta para ter certeza se realmente há algo estranho dentro do apartamento, sente um golpe nas costas. Antes que tenha tempo de ver quem é, a faca rasga o robe e a atinge em cheio. O copo cai de suas mãos abruptamente, em seguida ela cai sobre os cacos e tenta agarrar o pé do homem que permanece na penumbra. Quando seus olhos encontram os do homem, ela tenta gritar, mas não consegue. Sai muito sangue de sua boca. Ela desmaia com o braço esticado na tentativa de alcançar o homem.

O diretor grita "corta!", mas o corpo permanece no mesmo lugar. Todos se movimentam freneticamente no set. O diretor e seu assistente pedem à atriz que pare de brincar e se levante logo para ver como ficou a cena. Ela não se move. O diretor, seu amante, corre até o corpo e não considera aquilo mais uma brincadeira. A atriz não respira e está coberta de sangue, sangue de verdade. A equipe boquiaberta cerca o corpo. Pela primeira vez o diretor não sabe o que fazer no próximo momento. Alguém pergunta quem era o ator que fez o assassino, todos procuram por ele. O diretor abraça o corpo frouxo, alheio à movimentação ao redor. O segurança avisa que viu o homem sair atordoado e pegar um táxi na porta.

Eles não sabiam que aquele era o marido da atriz, também ator, que não conseguia trabalho há meses. E que a atriz havia conseguido esse bico para ele um dia antes. E que ele, depois de desconfiar que a mulher era amante do diretor, preferiu acabar com tudo e ir morar de vez com sua própria amante.

6 comentários:

Angela Guedes disse...

Oi Aline!!!
Muito bom, você escreve súper bem.
Beijinhos
Ângela Guedes

duda disse...

credo, credo , credo

Eraldo Paulino disse...

Seus recortes da vida são demais

bjs!

Alline disse...

Angela:
Eu nem sempre acho isso, mas só coloco aqui o que me diverte. rs
Brigadão!
Y beijo pra ti =)

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Duda:
É mesmo nessa linha. Credo!

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Eraldo:
Imaginei a cena e gostei. Não é bonita nem romântica, mas nem sempre a vida é assim,né?
Besitos ;)

Luna Sanchez disse...

Alline, sua moça má : que terrível, isso! Tão terrível que poderia ser real! oO

Beijo, beijo!

* Adivinha o que vou fazer nos Correios, amanhã de manhã?

Rs

ℓυηα

Alline disse...

Luna, achas que eu sou má? Não visse nada... rs... e nem vou vir com aquela da Mae West, tão gasta...rsrs... ah, não dá pra ficar só nas coisinhas bonitinhas... tá faltando é sexo aqui... huahuahuaha

Oba, vem coisa gostosa pelos Correios!!!!!

Besones!!