quinta-feira, 31 de março de 2011

trinta e nove

EU E ELA


O pior foi que Renan levou nosso caso a sério e deixou escapar que não podia mais viver sem mim. Eu podia muito bem viver sem ele, andava de novo na cama de Bernardo, e ainda tinha a banda e umas aulas particulares de violão toda semana. Quando sobrava tempo, era para os encontros com Renan. Sempre à tarde, em motéis de luxo.

Até que Letícia estragou tudo.

Ela desabou assim que abri a porta. Eu sabia por que ela chorava e me sentia culpada por não ter colocado tudo às claras, mas esperei em silêncio. Letícia soluçava, falava desconexamente sobre não ser amada e estar arrependida do casamento.
- Você acha que eu devo pedir o divórcio?

O que eu acho? Quase engasguei. Se podia ajudar, não seria dizendo a verdade naquele momento. Fugi da resposta oferecendo a ela uma cerveja. Letícia aceitou e pediu para ficar, explicou que seu pai estava viajando e não queria ter que voltar para Renan.
- Eu tenho nojo dele, Nina. Eu quero que ele morra! Ele e a piranha que ele arrumou!

Àquela hora eu deveria estar saindo para pegar um táxi e encontrá-lo. Tinha acabado de tomar banho, mal enxugei o corpo porque ele gostava de tocar minha pele úmida, ele esperava por isso. Mas agora ela estava ali sentada do meu lado falando mal dele. Bebi com um olho nela e outro na bolsa sobre a mesa - se demorasse mais um pouco ele ia acabar ligando.

Ela não parava de falar e beber, estava ficando fora de controle. Não havia muito mais que fazer.
- Letícia, eu... eu preciso sair. Tenho um... compromisso.
- Fica comigo, Nina. Só hoje. Eu tô tão sozinha que acho que vou fazer uma besteira.
Hesitei. Mas...
- Não dá, juro. Tem gente me esperando.
- Por favor.
Como ia sair se ela se agarrava às minhas pernas?
- Eu prometo que hoje à noite a gente faz alguma coisa juntas.
- Não vai, não. Fica comigo.

Letícia me abraçava pelos quadris, seu rosto pressionava minha barriga. Daquele jeito eu não conseguiria me livrar dela tão fácil.
- Tá, mas não posso demorar.
Ela se pôs de pé diante de mim e sorriu. Eu também sorri e relaxei. Foda-se. Nos abraçamos como as amigas que nunca fomos nem nunca seríamos e então Letícia me surpreendeu com um beijo na boca que tão cedo não esqueceria.
- Espera.
Não me foi dada a chance de resistir. A boca de Letícia se apoderava da minha com sofreguidão e quase não me deixava respirar. Procurei rapidamente uma resposta nos olhos dela, que encaravam os meus e não traziam mais tristeza neles. Correspondi, aceitei a língua que brincava com a minha, mas a mordi depois para que ela não tentasse me dominar. Letícia entendeu e passou a língua de leve em meus lábios. Era só isso? Mostrei que não usava nada sob o vestido levando sua mão até lá. Ficamos nuas. Ela por cima, quis fazer sessenta e nove. Claro!

Meu sexo em suas mãos, meu sexo em sua boca. Nessa hora deixei Renan  de lado, mas não foi por querer, foi por tesão. Letícia, a esposa tão fria e distante, me mordiscava o clitóris com habilidade que nunca tinha visto nem em Karen. Eu recebia as carícias e tentava repeti-las nela do meu jeito. Lambia, amaciava, sugava gentilmente, mas ela sabia fazer melhor. Só assim para eu deixar o celular tocando e esquecer que um dia existiu um encontro com Renan às quatro no motel.


7 comentários:

A Mina do cara! disse...

juro que se você não publicar em livro vou dar crtl c e ctrl v aqui no blog e lançar viu...

beijos

Eraldo Paulino disse...

Linda foto. Lindo o texto. Linda a Nna. E burra a editora que não aceitou publicar o livro. Nina é demais!

Bjs!

Luna Sanchez disse...

Ai, Jesus...liga o condicionar de ar no máximo que a coisa esquentou por aqui!

:p

Quero ver (ler) esse trio em ação, Li!

Beijos enormes, ótimo fds!

Allyne Araújo disse...

Li!!!!!! cuidado de publicar esse livro logo!!! ou pelo menos registra!!!! Jesus! meu Deus! a Historia e demais!!! nao perde ela pra ninguem nao!!!!!! por favor?!!! ufa! beijooo e se cuida!!! sucesso!!!

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

"Eu recebia as carícias e tentava repeti-las nela do meu jeito. Lambia,"
e assim tudo pede calma

Um brasileiro disse...

oi moça. etive por aqui. muito legal e sensual. gostei. apareça por la. bjus.

Os brejos ao redor de minha alma agreste... disse...

minina do céu, até eu estremeci rsrs
essa foi demais mesmo! me lembrou A casa dos budas ditosos...
ai ai Allinezinha querida, vc como sempre arrasa e ñ deixa a gente desgrudar do texto nem de madrugada! deixei-me penetrar,
que gozo estético!
abraços
fique em paz linda!
bjoss
Rita