quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

vinte e sete

VOYEUR

Chico só me beijou, era tudo que eu podia contar. E a história foi encerrada ali depois que saímos da água atormentados e silenciosos e nos vestimos. Cada um dormiu em sua cama e não se falou mais no assunto. Na rodoviária tive vontade de beijá-lo como antes, ele me segurou e se conteve, porque eu vi em seus olhos o mesmo desejo que pairou nos olhos do outro que também era ele.

Dissemos quase nada e cada um foi para seu lado. Ele voltou para a padaria e eu para São Paulo, onde encontrei Karen tão excitada com o novo namorado que desconsiderei totalmente a possibilidade de confessar os pecados do fim de semana. Ela falou tanto dele que pensei que nem precisaria mais conhecê-lo. Ele era chef de um restaurante da família, era sexy e caseiro, se vestia bem, falava italiano e ia à Europa pelo menos uma vez por ano, também era ótimo na cama... enfim, era perfeito. Ah, ela quase se esqueceu de contar que tinha um irmão gêmeo que eu ia gostar de conhecer.

- Tem uma boquinha... humm... quase igual à do Fred.
- Frederico? Esse é o teu?
- É. A gente já se conhecia há um bom tempo, mas ele estava ocupado, entende? Quase noivo! Agora que deu brecha ele me ligou e pronto.
- Espera aí, você lembra que desastre que foi aquele encontro com teu amigo advogado?
- Esse é diferente, Nina. Você vai ver. Ele tem um bar ali na...
- Tá. E quando vai ser isso? Quando vou conhecer essa peça rara?

Karen que não era de perder tempo conseguiu armar para a noite seguinte. Fez questão de escolher meu vestido, me pintou e me carregou até o apartamento que os irmãos dividiam. Eu estava curiosa, mas queria mais era me livrar dos pensamentos em Chico.

O novo namorado dela nos recebeu com um sorriso aberto. Aparentemente era tudo aquilo que ela tinha dito e ainda educado e gentil. Ótimo para Karen. Olhei quando se beijaram, era uma bela visão os dois juntos. Ele sutil, mas interessado. Ela voraz, oferecendo a língua. Ele segurando-a pela cintura como se fosse só sua. Ela correspondendo com olhares lânguidos. Se não estivesse ali eles já teriam arrancado a roupa. Por que eu vim mesmo? Ah, o irmão.

O irmão não estava, ia se atrasar. Ponto pra mim.
- Então acho melhor eu ir embora, né?
Tentando escapar de mais uma situação embaraçosa.
- Não, não faz isso. Ele ligou avisando que vai resolver uns problemas com fornecedores no bar e vem pra casa em seguida.
- Então tá.

Ansiosa, perguntei se podia fumar na varanda. De lá fiquei observando os dois. Não sei se ele tinha sido apenas educado ao justificar a ausência do outro, mas era claro que eles gostariam de ficar sozinhos. Karen não se importaria se eu a visse nua sobre ele, aposto que faria de tudo para que isso acontecesse. Via como ela o cercava com abraços e olhares, como o seduzia com as pernas cruzadas e o riso fácil. Mas ele resistia, ainda olhava para a varanda, para mim.

Eu tentava me esconder na parte mais escura para que ele se esquecesse da minha presença e aproveitasse o momento. Vai, Karen, faz alguma coisa!

Ela era uma bela mulher, eu invejava sua segurança e feminilidade diante de um homem. Com Fred não seria diferente. Talvez ele não quisesse uma terceira pessoa presente, mas ela daria um jeito. Ela deu um jeito. Usando o corpo para pressioná-lo contra o sofá, colocou o joelho entre as pernas dele e foi se chegando, beijou-o atrás da orelha, no pescoço, nas bochechas e por fim na boca. Percebi que ele se entregou ao abrir os braços e deixar que ela invadisse seu peito com carícias que o fizeram suspirar. Gostaria de tentar isso, mas com quem? Esse irmão não chegava nunca e a essas alturas nem queria mais que viesse, ia atrapalhar o andamento de cena que acontecia diante de meus olhos.

Eu mesma teria corrido para ajudá-lo a se desvencilhar da camisa, se Karen não tivesse feito isso sozinha e com habilidade de quem é acostumada a tirar a roupa de um homem todas as noites. Mas sem que eu esperasse ela o levou dali e passei apenas a ouvir ruídos abafados vindos do corredor. Claro, fui atrás, não poderia deixar de participar, nem que fosse de longe, como espectadora.

A porta do quarto entreaberta. De propósito? Havia uma fresta por onde eu podia ver Karen de pernas para cima na beira da cama, sendo possuída pelo chef sexy e agora selvagem. Ele estava de costas, então eu só conseguia ver como seus músculos se contraíam no esforço da penetração, e como a cada estocada Karen também jogava o corpo para trás, e ele repetia o movimento. Era uma espécie de dança à qual eu assistia com um prazer que me umedecia e me fazia ter vontade de perder a cabeça.

Apertei meu sexo entre as pernas, passei a mão para sentir que era real também o que se passava comigo. Por que Karen quis que eu visse? Para me excitar? Era um convite velado? Ele concordaria? Eu tive que enfiar a mão dentro da calcinha quando ele a colocou de quatro, fui obrigada a me masturbar escorada no batente da porta enquanto os dois gemiam e balançavam a cama.

- Você sabia que é muito feio espiar os outros?

Susto! A voz que sussurrou em meu ouvido me fez recolher a mão sem olhar para trás. Quase morri de vergonha, mas não tirei os olhos de Karen e Fred. Não tinha como me desviar deles, porque a dança estava quase no fim. Os movimentos eram frenéticos e não dei importância à voz, que se calou. Era ele, o irmão ausente! Não olhei, não o vi. Não era igual ao outro? Ele me enlaçou pela cintura, me trouxe ao encontro de seu peito e presenciou comigo o gozo de seu irmão com minha prima como se fosse a coisa mais normal do mundo.

E depois? Jantamos juntos, os quatro. Civilizadamente.


6 comentários:

Eder Asa disse...

Mulher, você se superou...
O cápitulo é supreendente, inigualável, é...
HAHA'
Paguei pau, como dizem por aí HAHA'

Sou super fã, Aline,
Beijo!

kaah. stahlke disse...

adoro o que escrever. sem mais.

Janderson disse...

Está cada vez melhor os textos e as aventuras dessa menina.
Não para nem nas mini-férias! :)
Teu
J

Alline disse...

EDER, esse 27 quase que não saiu. Já devo ter dito que o livro tá todo escrito, mas há partes que surgiram depois, do nada. Pra diversão de todos nós, claro, claro. rsrs
Espero que te divirtas sempre. ;)
Beijo!

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Então seja sempre bem-vinda, KAAH!

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Olha, MOR, se não fosse tu eu já teria sido demitida. Meu revisor preferido! =P
Brigada pelos toques e aquele beijo que é só teu... ai, ai!

Luna Sanchez disse...

Embora eu aprecie uma boa pornografia de quando em vez, não sei se gostaria de assistir assim, ao vivo...mas tenho certeza de que gostaria de participar. :p

Nina nasceu mesmo de quina pra lua, né, Li? Que danada!

Beijoconas!

ℓυηα

Alline disse...

Ô Luna, eu nunca vi, mas bem que não acharia ruim, não. Sei lá no que ia me dar, mas...

Nina vive de bunda pra lua, só que segurando pra ninguém pegar. hehe

Beeeeeeijoooo!