quinta-feira, 23 de setembro de 2010

treze
SÓ PRA SABER


Com muita lábia consegui outras noites no apartamento. E naquela consegui trazer Tom para o outro quarto com a desculpa de que estava ouvindo barulhos estranhos e não gostava de dormir sozinha. Velha essa, não? Ficamos muito tempo deitados no escuro, em silêncio, olhando as estrelinhas amarelo-limão que brilhavam no teto.

- Você não pensa em sair daqui, Tom?
- Do apê do Waguinho?
- Não, da cidade.
- Um dia eu volto pra Minas, mas não agora. Cê gostaria de ir junto?
- Eu?
- Aí cê ia conhecer uma verdadeira família de palhaços.
- Eu ia gostar muito.

Silêncio de novo. Eu só via as estrelas grudadas no teto e ouvia uma respiração baixa em algum lugar próximo, mas não muito. Esticando o braço poderia tocá-lo. Tom rolou até chegar a mim. Teria adivinhado meus pensamentos absurdos?

- Tá com fome?
- Não, tô com frio. Me abraça?

Tom me envolveu em seu abraço quente. Mais silêncio, não sei por quanto tempo.

- Tom?
- Hein?
- Você tá com alguém?
- Não. Por quê? Cê me quer?
- Ah, Tom, que pergunta!
- Eu acho que quer...
- Não faz cócegas, vai... para, Tom!

Silêncio de novo. Minha perna enroscada na dele, o braço dele pousado em meu estômago.

- Nininha?
- Que é?
Senti a mão descer para a coxa, a minha, os dedos me apertando.
- O que é isso que tá acontecendo?
A mão parou, esperando resposta.
- Não sei.
A mão desceu um pouco.
- Eu tô com muuuito tesão.
- Eu também.
- Cê quer?
- Eu... não sei...
- Eu não guento mais.
- Tom...
- Nininha...

Eu coloquei a mão dele dentro da calcinha e ia responder que queria também, mas de repente as luzes da sala se acenderam e os meninos entraram fazendo algazarra. Vieram direto para o quarto e Tom se afastou rapidamente. Depois de toda aquela conversa na escuridão pude olhar nos olhos dele. Como eu, ele estava alterado, com o rosto vermelho. As pupilas dilatadas. Régis notou o clima e ficou de gozação até a hora de dormir. Esse nunca perdoava uma, que saco! Além de não cometer uma loucura a mais com Tom eu ainda tinha que ouvir as gracinhas de um nanico metido a baixista que cheirava a cigarro e fritura. Dormi sob um lindo teto cheio de estrelas, estremecida de tesão pelo cara ao lado.



7 comentários:

Eder Asa disse...

Ah, o capitulo de hoje deixou uma melancolia sem fim.
Gosto quando a Nina realiza suas taras e desejos. HAHA'

Beijo, Aline!

Alline disse...

Eder, não fique assim, porque no próximo a Nina se vinga. ;)

Milene disse...

Ela não conseguiu de novo. Tadinha :(

Luna Sanchez disse...

#EmpataFodaModeOn

=(

Rs

=**

ℓυηα

Michele P. disse...

Alline

Te acho 1o e gostaria que participasse de uma brincadeira do meu blog. Passa lá?
Bjs!

Eraldo Paulino disse...

A nina é apaixonante, justamente por ser tão real... e só quem vence o tempo todo é o Steven Seagal rs

Bjs!

Alline disse...

Milene:
Nem sempre a gente consegue, né? ;)

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Luna:
Eu não sabia que seria triste assim pra todo mundo... até porque já sei o que vem depois. Rá!

Beeeeijoooooo!

---

Michele:
Amanhã tem, viu rs
Passa aqui pra ver.

Beijos

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Eraldo:
Ou o McGyver, que sempre arrumava um jeito bem doido de sair de uma situação. E sempre dava certo!

O esquema é esse mesmo: na vida, como na ficção, às vezes a coisa progride, às vezes não. rs

Beijossss!