quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

vinte e nove

MAIS DO QUE PALAVRAS


Quando Mateus me levou para o quarto e chamou Fred e Karen, encarei como uma brincadeira boba para me provocar. Não era, pelo jeito não. E isso aconteceu não porque eu quisesse realizar uma fantasia entre irmãos, mas pela suspeita que ficou daquela noite.

Mais cedo tentei conversar com ele:

- Era ou não era você ? Diz pra mim. Tinha certeza de que era, mas depois fiquei em dúvida, achei que você me olhava no canto da sala. Ou era Fred?

Eu não disse, mas devia: Você não entende, eu quero que seja você, não ele. Por que fez isso comigo? Tem a ver com aquele dia, quando você chegou e me pegou na porta do quarto? Por que você tinha que ter outro tão igual e perturbador?
- E se não fosse eu, o que você faria?
- Nada. Eu queria que fosse você, só isso.
- Você vai saber.

Agora ele iria me mostrar? A vontade que eu tive foi de pedir a Karen que viesse ficar comigo, porque não imaginava o que fazer com os dois nos olhando e precisava me sentir mais confortável antes de tomar qualquer iniciativa. Ficando com ela eu sabia o que ia acontecer, já tinha passado por isso. E com eles? Mas ela caiu nos braços de Fred, que lhe desabotoou a blusa enquanto me encarava. Por que me encarava daquela maneira? E ele continuou, puxando os peitos dela para fora da blusa, apertou cada um e me encarou de novo, como se dissesse que eu seria a próxima. Eu ainda olhava, curiosa. O que eu devia fazer nessa hora? Viramos quatro no espaço de uma cama que era para dois.

Em seguida Karen rolou para o lado de Mateus e chamou sua atenção. Sentou nas coxas dele e a consequência foi um beijo tão cheio de desejo que imaginei se não teriam um caso. Ao ver Mateus excitado com o corpo de Karen, me excitei também. Eu desconfiava, estava quase certa de que tinha sido ele no restaurante japonês, mas precisava me aproximar de Fred para saber.

Percebi que se olharam antes de Karen começar a tirar meu vestido com ajuda de Fred, e isso só aumentou o pressentimento de que havia algum tipo de combinação ali. Mateus ficou de lado com calça desabotoada, só observando. Fechei os olhos e relaxei. Um deles me acariciava a parte interna da coxa, e as carícias iam subindo e se intensificando. Era Karen? Abri os olhos... Era Mateus. Ele usava as mãos para me instigar enquanto Fred procurava minha boca com voracidade e deixava Karen à vontade para roçar seus peitos nos meus, e eu saboreava as sensações que os três me proporcionavam ao mesmo tempo sem pensar no que viria a seguir.

O beijo de Fred foi direto e durou o suficiente para eu sentir que esse homem também me interessava. Ele era agressivo e febril a ponto de meus instintos mandarem eu me afundar nele e ficar, mas tinha medo de me perder e não conseguir voltar. Precisei fugir da boca que me mordia para procurar abrigo nos seios de Karen. Mateus veio atrás dividir comigo esse pequeno prazer. Depois nossas bocas se encontraram no mamilo de Karen, olhamos, nos beijamos e nos agarramos ao corpo dela. Eu já sabia, agora eu sabia que era dele o gosto, que as mãos que me arrebataram foram as mãos dele, as que subiram pelas pernas até encontrar meu sexo. Mas não queria parar por ali.

Por isso facilitei quando Fred se encaixou em mim. Apenas me virei, lânguida, sem reagir, para Fred me penetrar como entendi que era a intenção dele, ou deles. Eu me sentia estranha vendo Mateus me olhar com prazer enquanto eu era possuída por Fred. Mas para ele parecia um prazer, como se pudesse sentir o que eu sentia, ou o que Fred estava experimentando a cada investida.

O prazer do olhar dele me atingiu, e eu não podia mais ser de outro. Beijei Fred e fui na direção de Mateus, cheguei mais perto e o coloquei dentro de mim, me mexi, ele me segurou no colo. No abraço senti um estremecimento, no olhar fui despida de alma, nunca ia esquecer a sensação. Eu já estava gozando. Tremi tanto que quase engasguei, babei, ri. Depois ele. Tombamos entre os lençóis sem nos separar e finalmente nos demos conta de que estávamos sozinhos na cama.

O minivestido colado no corpo não era exatamente uma roupa para desfilar numa manhã de terça-feira. Ah, um café agora... Mateus me deixou na frente do prédio com um beijo longo e sonolento, sem dizer o que eu já sabia, não precisava mais.
Passei quase correndo pelo hall de entrada e acabei esbarrando no homem que vinha com duas caixas grandes.

- Bernardo?

Quem mais poderia ser? Ele me olhou, percebeu a situação.

- Tudo bem?
- Tudo ótimo. Só um pouco de sono.
Pausa necessária.
- Já tomou café?
- Hum... Não.
- Me faz companhia?

A roupa não era nada adequada para um encontro matinal na padaria, mas ninguém olhou mais de uma vez. Eu estava feliz e pedi logo um café sem açúcar e um sonho com bastante creme.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

FIM DE TARDE

Saí do trabalho depois da chuva passar. Quase tropecei em alguma coisa ao atravessar a rua. Um parafuso! Olhei pra ele fixamente e pensei: "Será que fui eu que perdi? Será que é meu?".

Sorri.

Mais um dia de trabalho, menos um parafuso para contar história.
E a vida segue seu rumo, flui suavemente com os pingos que caem, com o riso, o suor, o desejo, o sol surgindo de novo no horizonte, e eu indo com ele.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A GENTE RI, NÃO É?

Estou contando a um colega sobre minha mania de imitar o jeito de falar dos outros. Primeiro foi o da minha professora de Sociologia Urbana, que era pernambucana, o que fez muitos acharem que eu era baiana. Depois veio o sotaque português, e esse não sei explicar de onde veio. Só sei que quando ia ver já estava puxando do bolso pra usar.

Daí conto: tinha entrada na Dits [loja que vende biquínis] e meio sem querer botei o meu melhor sotaque lusitano pra funcionar, pedindo pra olhar umas peças. E não é que colou? A menina do outro lado do balcão pensou mesmo que eu era de lá e não de cá. Ora, pois.

Acabo de dizer que fui confundida com uma portuguesa e outro colega entra na conversa:

- Melhor portuguesa que calabresa, né?

Eu não sei nem o que dizer e ele continua:

- Ou quatro queijos...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

vinte e oito

ELE OU... ELE?

Mateus era o nome do irmão. A boca atrevida de Fred, os olhos convidativos e matreiros que pareciam sorrir o tempo todo. Foi ele que mandou flores do campo e me convidou para o teatro depois de alguns dias. Entendi que era um pretexto para me colocar de pernas para cima na cama – como Karen. Era o que eu gostaria que fosse.

Não. Fomos ao teatro, sentamos lado a lado na sala escura e cheia, vimos uma comédia e gargalhamos juntos. Mateus era leve, me fazia sorrir sem motivo quando me olhava, eu gostava disso. E eu quis porque quis ouvir as histórias da infância dos gêmeos, as disputas, as trapaças, e sugeri um bar para não deixar a noite terminar cedo.

Ele me levou ao seu restaurante preferido, um japonês perto do bar. Eu não tinha fome, mas ele disse que era mais reservado. A garçonete, uma loira de boca grande e olhos puxados, deu a entender que o conhecia e perguntou se queria o lugar de sempre.

Sentamos no chão. Ele encheu um copinho de saquê e me entregou, bebi pela primeira vez. Era forte. Pensei de novo em ser penetrada na beira da cama e o tesão pela loucura voltou. Eu sentia necessidade de tocá-lo, mas não sabia como tomar a iniciativa.

Quando quis mais um copo, ele negou, disse que preferia que eu ficasse lúcida até o fim da noite. Pegou o guardanapo e pediu para me vendar.
- Vamos brincar de quê?
- Você vai ver. Você não vê nada? Tem certeza?
- Com um guardanapo preto nos olhos fica difícil enxergar qualquer coisa. Cuidado comigo, OK?

Ele me deitou na esteira. Beijou-me a palma da mão. Fiquei na expectativa do que poderia acontecer, era tudo que eu podia fazer. Tateei ao redor da esteira e não consegui alcançá-lo. Onde estava Mateus? Ele estava jogando comigo em algum canto da sala, quase achei que tinha me deixado só. Esperei minha vez de jogar. De repente ele chegou do meu lado e me beijou entre os seios, um beijo quente e mais demorado. Mais uma pausa, dessa vez não tão longa. Onde será o próximo beijo? Não conseguia manter as mãos paradas, tentava achá-lo.

- Quieta – sussurrou em meu ouvido.

Obedeci por algum tempo, até senti-lo próximo à virilha, levantando o vestido. Antes que fizesse qualquer coisa abri de leve as pernas.

- Não. Quieta.

E para ter certeza de que eu não tentaria trapacear, me segurou com uma mão e com a outra puxou a calcinha para o lado e acariciou meus pelos, afundou muito de leve os dedos, para me sentir. Eu estava excitada, sim. Eu ardia por ele, eu não pensava mais na cama, eu estava ali sendo acariciada gentilmente e ali podia ficar até amanhecer, com o toque dele.

Ouvi gente falando muito perto. Estariam passando ou ele havia trazido convidados? Apertei os olhos para não descobrir e aguardei. Ele parou, dessa vez por mais tempo. Eu suava, quase não conseguia conter os movimentos, queria procurá-lo, desvendá-lo, saciar a vontade de tê-lo inteiro.

A mão me tocou o rosto, os lábios, meus lábios tão quentes. O dedo contornou o desenho da boca, eu o mordi. Ele me provocou, eu o lambi e mordi, chupei, tinha gosto de saquê. Ele sabia das minhas intenções, eu ainda não entendia direito as dele.

Sem que eu precisasse pedir, sem que ele precisasse dizer, aconteceu. Eu não o via, mas o sentia se mover sobre mim e gozava enquanto o peito dele arfava e ele suava, e eu suava, e nossa respiração era a mesma.

No fim ele tirou a venda e me olhou. Ele era Mateus... ou Fred. E aquele no canto da sala, era quem?


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

FORA DA ZONA DE CONFORTO

Acordada pelo despertador às seis e meia da madrugada, com todos os horários mudados, trabalhando oito horas por dia, a mesa lotada de jobs, o quase título de redatora substituta-mor, empanada com pão de queijo no almoço, correria, sono, café, ansiedade, academia lotada à noite. Será que eu tô sonhando? Não, é vida real mesmo. Vou sobreviver sem sangue, com suor e talvez lágrimas. Arre, e ainda na TPM, no dia oficial de volta ao trabalho. Mas ainda sorrindo, tá? Só de levinho, vai... rsrs