de tanta vontade
Ela olhou para ele da outra ponta do balcão. Não quis sorrir imediatamente, para não demonstrar suas reais intenções. Baixou os olhos, depois tornou a observá-lo. Ele não disfarçava, não parava de olhá-la. Ele a queria também! Ela ajeitou o decote, roçou os lábios em expectativa. E se ele a convidasse para sair dali? E se fosse um depravado? E se quisesse fazer coisas doidas com ela, como seria? O coração bateu tão forte que teve medo de que todos pudessem ouvir. Ele estava vindo, sorria para ela. Ela não queria ter medo, queria aproveitar a vida, e deixar seu coração pular para fora do peito por alguma emoção forte provocada pelo estranho. Abriu seu melhor sorriso, quase abriu os braços para recebê-lo. Ele chegou em seu ouvido:
- Você não é a mãe da Marcinha? Faz tempo que eu tô querendo falar com ela.
Ela não era mãe de Marcinha nenhuma, aliás não era mãe de ninguém. Ela achava que não tinha idade para ser mãe, o sujeito estava precisando de óculos, isso sim! Mas, por via das dúvidas, resolveu marcar uma consulta com o dermatologista no dia seguinte e providenciar umas injeções de botox e de ânimo.