quarenta e oito
São Paulo-Floripa
Cheguei à rodoviária em cima da hora e corri com mala, bolsa e violão, arrastando os tamancos, o som da madeira no piso, eu desvairada. Teria sido mais fácil se não tivesse passado a noite no bar com Régis e Tom. E se depois não tivesse dormido o dia inteiro, e não demorasse tanto para fazer a mala. Foi Chico, Chico me chamou! Não sei por que, foi de repente. Uma ligação, eu preciso de você, vem pra cá, me desculpa, a gente tem que conversar. Ansiedade, dele e minha, tudo caindo por terra.
Eu vou, me espera, vou conseguir um ônibus e chego antes do fim de semana.
Fila mais ou menos grande, era o que tinha conseguido em cima da hora. Sem poder fumar, comecei a roer a unha do dedão com o olhar fixo no sujeito mais à frente. Cara de sono, a barba por fazer, um sorriso cínico no canto da boca. Mas o que realmente me prendeu foi o estojo de guitarra que ele levava. Teria banda? Aqui ou lá? Reparei no pescoço, nas costas, imaginava do que ele seria capaz. Cantando ou... Ele falou com o amigo, não tinha certeza se eu era o assunto, mas gostaria que fosse. Estávamos nos encarando em sinal explícito de tesão. Sorrimos ao mesmo tempo, eu apontei meu violão, ele mostrou a guitarra sem sair do lugar. Passei a língua pelos lábios. Anda, pensa logo em alguma coisa! Uma saída, uma frase inteligente. Nem deu tempo, o motorista apareceu e todos foram se amontoando na porta do ônibus.
Na confusão de gente e malas acabei entrando na frente dele. Poltrona ao lado da mulher que falava sozinha na fila. Assim é castigo... Sentei e fiquei alerta, perturbada, pensando no que fazer em seguida. Ele passou no corredor e me tocou de leve no ombro. Boa viagem. Hã? Pra mim? E agora? Virei para espiá-lo, já estava sentando e eu só via uma ponta do cabelo loiro lá no fundo, fora do alcance. Eu que ficasse imaginando o que haveria por baixo do jeans apertado e fosse me masturbar feito uma alucinada no banheiro do ônibus. O banheiro! É isso!!
A mulher quis saber as horas, tentou puxar assunto e falar do tempo, do calor, do preço das passagens, o diabo. Dez horas, dona. A mulher falava sem parar como se o fim do mundo fosse amanhã e ela tivesse que despejar tudo no primeiro que aparecesse, e continuei fingindo que ouvia. Aproveitei que olhou para o lado para colocar os fones. Ela finalmente se calou, resmungando até cair no sono.
O ônibus estava na estrada, a maioria das luzes foi se apagando, mas eu queria fumar, olhava o relógio a cada cinco minutos. O cara da fila voltou a dominar meus pensamentos. Ali estava eu, voltando para casa sem juízo, de olho no sujeito da poltrona dos fundos. Era quase uma da manhã, e a viagem prosseguia. Antes que fosse tarde demais, tirei a calcinha com cuidado e caminhei descalça pelo corredor, tateando entre as poltronas, procurando-o. Torci para estar acordado. Estava, no banco reclinado. Larguei a calcinha em seu colo e fui para o banheiro como uma criança que acabou de fazer travessura, olhando para os lados toda desconfiada, o corpo fervendo por dentro. Só eu mesmo... Não tranquei a porta, tinha certeza de que ele viria. E veio, com a calcinha na mão e a calça desabotoada. O que significava...
No momento seguinte estávamos atracados no cubículo cheirando à desinfetante barato. A barba dele me espetava a boca, eu nem ligava, me esfregava por querer, para saber como era. Ele era minha despedida, eu devia senti-lo seja do jeito que fosse, até o fim, porque depois seria somente Chico. Para sempre Chico em algum lugar longe de todos.
O cara puxou minha saia até a cintura, eu já quase nua, pode me levar, vai! Me animei quando ele me tateou até encontrar os peitos por baixo da camiseta e endurecer os bicos entre os dedos. Era intenso, quase dolorido, eu quero mais, você me toca mais embaixo, aqui... Ele me ouviu sem que eu dissesse nada e invadiu meu corpo com as mãos. Era o que eu procurava quando entrei ali. Revidei tocando o pau ainda dentro da cueca, rijo, pronto, todo meu. É isso que você tem pra mim? Gostei do que vi, queria ter comentado, mas não tive chance. Antes ele se aproveitou do balanço macio do ônibus para me penetrar de uma vez e só teve tempo de dar algumas estocadas e aí veio uma curva e com a falta de equilíbrio ele saiu de mim quando eu começava a conhecê-lo.
Quando me virei de frente para o espelho, perdi o chão de novo, ele me empurrou contra a parede de metal, foi um baque. Frio. Ele veio, a pressão, corpo retesado e quente, o metal gelado atiçando os peitos. Não fui avisada, pressenti, senti que haveria a invasão. Ele me segurou pelos cabelos, me untou de saliva e investiu. Quanto mais me apertava mais eu me soltava nas mãos dele e aproveitava a sensação desconhecida - por trás. Pensei em Dieter, e em Bernardo, eles quiseram tanto e eu não consegui, estava dando para outro, a bundinha tão desejada para o desconhecido com quem não teria nada, mas para quem dava com prazer justamente por isso. Ele aumentou o ritmo e fiquei imaginando se o ônibus todo tinha acordado com meus gemidos abafados. Tremi, até o ônibus tremeu. Ele me puxava contra o corpo dele e eu ia toda obediente. Outra curva, ele mais forte dentro de mim, apertado, quente, dolorido, eu ia gozar, eu vou gozar. Aguardei, estava vindo o gozo mais inesperado da minha vida. Um suspiro meu, e o som dos freios. Mas ele não parava. Ele não parou até cairmos um por cima do outro, arfando, amontoados no chão que virou parede, e rolamos, nos misturamos e eu o olhei de frente. Ele não sorria mais.
Aquilo tudo não era só um orgasmo.
Fechei os olhos para não ver mais. Meu corpo bateu no dele, me segurei ou tentei, em vão. Estávamos caindo, e eu não tinha medo do que podia acontecer comigo, nem de morrer tinha receio, mas não queria ficar mais tempo longe de Chico. Não, isso não. Por favor. Eu faço qualquer coisa, mas o Chico agora não! O que ele me deu homem nenhum vai poder dar. Eu não posso ficar longe dele, meu corpo pede, meu sexo, minhas entranhas. Chico!!!
A porta do banheiro destravou durante a queda e me acertou em cheio no rosto. Doeu, mas não me importei, a dor era o de menos. Abri os olhos devagar e vi tudo vermelho. Depois mais nada, tudo pesou, eu cansei e pensei que Chico poderia trazer um sonho para mim. Quis chorar, mas não pude. E o tempo e a dor e o gozo se foram de mim. E foi só.
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
quarenta e sete
Sem drama
Saí da cama. Era cedo, devia ser, mas não havia um relógio por perto. Leoni dormia de braços abertos, saciado de mim. Era o segundo consecutivo que o via dormindo nu do meu lado. Vesti a calcinha e fui até a janela. Não chovia mais.
Achei que depois do fim de semana ir embora era o que eu tinha que fazer. Assim, recolhendo as coisas do chão e indo sem deixar rastro. Por algum tempo ia enfeitar as paredes do apartamento dele e excitá-lo com lembranças da sua boca beijando meu sexo, do meu sexo invadindo sua boca. Saber disso me deixava feliz. Também teria a impressão de que meu corpo ia ficar lá, aprisionado nas paredes da sala. Mas eu não era dele, não devia ser assim.
Eu ia deixar esse bilhete no criado-mudo. Escrevi olhando o corpo inerte na cama. Não tinha certeza se alguma vez ele quis saber meu telefone. Acho que não. A calcinha que usei aquele dia no museu ficou com ele em algum lugar, não vi mais. Vesti a camisa usada que seria minha lembrança dele e do museu. Cheirava a perfume e suor. Deitei sobre seu corpo para me despedir. Ele meio que dormia ainda, mas seu corpo respondeu rápido à pressão do meu.
- Você já vai?
Fiz que sim com a cabeça antes de oferecer meus lábios.
- Toma um café comigo. Daqui a pouco a Lola vai chegar.
Abri um p0uco a camisa e ofereci também o bico dos peitos. Ele provou.
- Quem é a Lola? Teu casinho?
- Uma amiga.
As mãos me seguravam por trás.
- Fotografou ela? Não mente!
Deitada sobre ele sentia-o excitado. Enfiei a mão entre nossos corpos para tocá-lo.
- É aquela da entrada.
Aquela de cabelos pretos, duas pequenas cerejas tatuadas sobre os seios, a pele muito branca, a carne rosada onde ninguém podia ver. Fiquei curiosa.
Lola veio e era como na foto. Eu ainda usava a camisa, Leoni estava nu. Tomávamos café, eu no colo dele. E Lola se aproximou, tomou um gole de café da caneca dele e o beijou na boca e me olhou e me provocou:
- Vamos ser nós três?
Não me assustei, sorri. Passei manteiga em uma fatia de pão e ofereci a ela. Lola lambeu toda a manteiga antes de colocar a massa branca na boca, e mastigou e ficou com o batom vermelho todo sujo de farelos de pão. E comeu mais duas fatias cheias de manteiga antes de me beijar. Eu sabia que ela faria isso, estava ansiosa. Ela não. Seus lábios carmim se apoderaram dos meus, deram-lhe a mesma cor dos seus e o gosto de café com pão e algo mais.
Ela conversava comigo enquanto abria cada botão da camisa de Leoni e ria do pau duro dele.
- Acho que você vai ficar para depois, baby.
Eu ia deixar esse bilhete no criado-mudo. Escrevi olhando o corpo inerte na cama. Não tinha certeza se alguma vez ele quis saber meu telefone. Acho que não. A calcinha que usei aquele dia no museu ficou com ele em algum lugar, não vi mais. Vesti a camisa usada que seria minha lembrança dele e do museu. Cheirava a perfume e suor. Deitei sobre seu corpo para me despedir. Ele meio que dormia ainda, mas seu corpo respondeu rápido à pressão do meu.
- Você já vai?
Fiz que sim com a cabeça antes de oferecer meus lábios.
- Toma um café comigo. Daqui a pouco a Lola vai chegar.
Abri um p0uco a camisa e ofereci também o bico dos peitos. Ele provou.
- Quem é a Lola? Teu casinho?
- Uma amiga.
As mãos me seguravam por trás.
- Fotografou ela? Não mente!
Deitada sobre ele sentia-o excitado. Enfiei a mão entre nossos corpos para tocá-lo.
- É aquela da entrada.
Aquela de cabelos pretos, duas pequenas cerejas tatuadas sobre os seios, a pele muito branca, a carne rosada onde ninguém podia ver. Fiquei curiosa.
Lola veio e era como na foto. Eu ainda usava a camisa, Leoni estava nu. Tomávamos café, eu no colo dele. E Lola se aproximou, tomou um gole de café da caneca dele e o beijou na boca e me olhou e me provocou:
- Vamos ser nós três?
Não me assustei, sorri. Passei manteiga em uma fatia de pão e ofereci a ela. Lola lambeu toda a manteiga antes de colocar a massa branca na boca, e mastigou e ficou com o batom vermelho todo sujo de farelos de pão. E comeu mais duas fatias cheias de manteiga antes de me beijar. Eu sabia que ela faria isso, estava ansiosa. Ela não. Seus lábios carmim se apoderaram dos meus, deram-lhe a mesma cor dos seus e o gosto de café com pão e algo mais.
Ela conversava comigo enquanto abria cada botão da camisa de Leoni e ria do pau duro dele.
- Acho que você vai ficar para depois, baby.
Fiquei o tempo todo no colo dele. Lola se ajoelhou por mim. Leoni me segurou pelas coxas abertas, a mão provocadora nas virilhas, tão próxima de onde queria que fosse. Mas agora era a vez dela. Apoiada no peito dele, deixei que Lola sentisse que eu correspondia com meu sexo que se contraía e tremulava às carícias que me impunha. Nada parecia combinado, mas fazia sentido. Tinha que ter acontecido Lola pra mim, em mim. A boca grande de batom que continuava manchando por onde passava e me torturou por muito tempo antes de me permitir o gozo.
A manhã já ia longe quando fui para o quarto com Lola, querendo, ansiando prová-la de qualquer jeito. Leoni nos seguiu sorrateiramente, porque sabia que mais cedo ou mais tarde não resistiríamos ao apelo de sua excitação explícita de homem. Fomos três na cama que rangeu sob o mesmo desejo. Leoni dentro de mim, dentro dela, ela dentro de mim, eu dentro dela.
Quando fui embora, eles brincavam com a câmera. O bilhete ficou lá no criado-mudo, eu levei e usei a camisa, e não esqueci mais Leoni e Lola.
A manhã já ia longe quando fui para o quarto com Lola, querendo, ansiando prová-la de qualquer jeito. Leoni nos seguiu sorrateiramente, porque sabia que mais cedo ou mais tarde não resistiríamos ao apelo de sua excitação explícita de homem. Fomos três na cama que rangeu sob o mesmo desejo. Leoni dentro de mim, dentro dela, ela dentro de mim, eu dentro dela.
Quando fui embora, eles brincavam com a câmera. O bilhete ficou lá no criado-mudo, eu levei e usei a camisa, e não esqueci mais Leoni e Lola.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
quarenta e seis
UMA TARDE NO MUSEU
Ele me viu escondida atrás da pilastra vermelha e me seguiu até a entrada do museu. Sentia que ele estava presente, não muito longe. Logo alcancei a porta, sabendo que ele estaria atrás da barra esvoaçante do meu vestido. Enrolava-se nas coxas, invadia o vão entre as pernas e ali ficava, me atiçando. Ele tinha pedido: "Eu quero você de vestido".
Não esqueci o recado. Era um vestido bem usado, lilás-claro, solto no corpo. Eu tinha sensação de ser a menina de vestido curto e rodado que ia ao museu.
Entrei com um grupo de senhoras de sotaque engraçado e tentei me misturar. Elas eram barulhentas e engraçadas. A de cabelos vermelhos perguntou meu nome e pediu um cigarro para fumar mais tarde. Estávamos num ambiente de paredes azuis quando percebi que alguém se encostava por trás. Era Leoni.
Até que enfim!
- Tira a calcinha.
A voz dele me acariciou o pescoço.
- E traz pra mim. O banheiro é ali – apontou discretamente. – E coloca isso.
O pacote fazia parte da brincadeira, agora eu sabia. A Hilda, aquela dos cabelos ruivos, me olhou de relance e disfarçou. Ela tinha ouvido!
A lycra preta virou um pequeno montinho que desapareceu em minhas mãos. No pacote havia uma borboleta com duas cintas. Era um vibrador, ele queria que eu usasse um vibrador do museu! Quando saí do banheiro com todo aquele equipamento entre as pernas, o grupo estava mais adiante, olhando uma escultura. Achei que todas iam se voltar para mim e me apontar o dedo, me acusar.
Não. Leoni permanecia junto delas, com a mão pousada no ombro de Hilda. Assim que me viu, ela se afastou. Sábia mulher!
- Toma.
A mão dele, a mão quente e úmida que queria me tocar pegou a calcinha, passou no nariz e pôs no bolso de trás da calça.
- Eu gosto desse cheiro.
A outra mão deslizou pela cintura até chegar no quadril, e desceu mais para tocar a barra fina do meu vestido rodado de menina. Ele puxou, amassou e levantou muito pouco o tecido em busca de pele.
- Abre um pouco a perna.
Vi a câmera com ele.
- Você ficou louco – ri. – Daqui a pouco mandam a gente embora daqui.
- Não mandam, não. É só fazer como eu mando. Abre a perninha, mas não sai do lugar. Olha aquele quadro ali, fica parada.
Eu estava meio nua, livre, desimpedida, disponível como ele tinha pedido. Mas só ele sabia. Talvez a Hilda, mais ninguém. E ele me clicou sem ser notado por baixo do vestido. Aquele som seco de foto tirada onde eu não podia ver.
Seguimos com o grupo para outra sala, sempre os últimos.
Havia apenas quadros e as mulheres se embolaram em volta de cada um, todas querendo ler ao mesmo tempo a descrição na parede.
- Você está preparada?
- Tem câmera aqui, você não viu?
- Eu sei o que eu tô fazendo.
Ele girou o botão devagar. Hilda me olhou, não parou mais. Eu gozava pela expectativa, tentava fugir dele, era bom, mas eu não aguentava. Ele me segurava por trás, me sentia, a minha fome de tê-lo, de alimentá-lo com meus fluidos e me deixar revirar por dentro depois das estocadas, o pau que me encontrava pronta, os gemidos... mais um quadro, Hilda me encarando e entendendo tudo, a borboleta flertando com meu clitóris, me amaciando, pressionando, pulsando sem parar... mais um quadro, mais um quadro, mais, mais... um clique, uma contração que tentei disfarçar e não consegui... outro quadro, eu suava e não tinha ainda o pau dele, eu ainda... achei que ia babar, umedeci os lábios de saliva antes de mordê-los, Leoni se deliciou e aumentou a velocidade, só um pouco. Meu peito se ergueu quando me esforcei para respirar, fechei os olhos... mais um quadro? Tantas telas, paisagens, corpos de mulheres nuas... mais, me dá mais disso, vem, levanta esse vestido, coloca o dedo... vê como eu tô molhada? Eu vou inundar esse salão! Sentia que ia me escorrer pelas pernas... eu preciso andar e ver mais quadros? O movimento só aumentava minha vontade... eu não vou aguentar, você não vê? Latejava toda, passava mal. Eu passava de todos os limites. Mais, mais, me dá... quadro... teu pau... me chupa?
As senhoras acharam que eu tinha um ataque epilético enquanto eu gozava e me debatia a caminho do banheiro. Ia pelos braços, Hilda de um lado, Leoni do outro.
Com delicadeza, Leoni me livrou daquela borboleta que me fez doida entre as senhoras no museu. Depois me teve no canto do banheiro, de pé. Não havia mais perigo porque Hilda cuidava da porta, mas de vez em quando olhava pelo espelho e gostava do que via.
UMA TARDE NO MUSEU
Ele me viu escondida atrás da pilastra vermelha e me seguiu até a entrada do museu. Sentia que ele estava presente, não muito longe. Logo alcancei a porta, sabendo que ele estaria atrás da barra esvoaçante do meu vestido. Enrolava-se nas coxas, invadia o vão entre as pernas e ali ficava, me atiçando. Ele tinha pedido: "Eu quero você de vestido".
Não esqueci o recado. Era um vestido bem usado, lilás-claro, solto no corpo. Eu tinha sensação de ser a menina de vestido curto e rodado que ia ao museu.
Entrei com um grupo de senhoras de sotaque engraçado e tentei me misturar. Elas eram barulhentas e engraçadas. A de cabelos vermelhos perguntou meu nome e pediu um cigarro para fumar mais tarde. Estávamos num ambiente de paredes azuis quando percebi que alguém se encostava por trás. Era Leoni.
Até que enfim!
- Tira a calcinha.
A voz dele me acariciou o pescoço.
- E traz pra mim. O banheiro é ali – apontou discretamente. – E coloca isso.
O pacote fazia parte da brincadeira, agora eu sabia. A Hilda, aquela dos cabelos ruivos, me olhou de relance e disfarçou. Ela tinha ouvido!
A lycra preta virou um pequeno montinho que desapareceu em minhas mãos. No pacote havia uma borboleta com duas cintas. Era um vibrador, ele queria que eu usasse um vibrador do museu! Quando saí do banheiro com todo aquele equipamento entre as pernas, o grupo estava mais adiante, olhando uma escultura. Achei que todas iam se voltar para mim e me apontar o dedo, me acusar.
Não. Leoni permanecia junto delas, com a mão pousada no ombro de Hilda. Assim que me viu, ela se afastou. Sábia mulher!
- Toma.
A mão dele, a mão quente e úmida que queria me tocar pegou a calcinha, passou no nariz e pôs no bolso de trás da calça.
- Eu gosto desse cheiro.
A outra mão deslizou pela cintura até chegar no quadril, e desceu mais para tocar a barra fina do meu vestido rodado de menina. Ele puxou, amassou e levantou muito pouco o tecido em busca de pele.
- Abre um pouco a perna.
Vi a câmera com ele.
- Você ficou louco – ri. – Daqui a pouco mandam a gente embora daqui.
- Não mandam, não. É só fazer como eu mando. Abre a perninha, mas não sai do lugar. Olha aquele quadro ali, fica parada.
Eu estava meio nua, livre, desimpedida, disponível como ele tinha pedido. Mas só ele sabia. Talvez a Hilda, mais ninguém. E ele me clicou sem ser notado por baixo do vestido. Aquele som seco de foto tirada onde eu não podia ver.
Seguimos com o grupo para outra sala, sempre os últimos.
Havia apenas quadros e as mulheres se embolaram em volta de cada um, todas querendo ler ao mesmo tempo a descrição na parede.
- Você está preparada?
- Tem câmera aqui, você não viu?
- Eu sei o que eu tô fazendo.
Ele girou o botão devagar. Hilda me olhou, não parou mais. Eu gozava pela expectativa, tentava fugir dele, era bom, mas eu não aguentava. Ele me segurava por trás, me sentia, a minha fome de tê-lo, de alimentá-lo com meus fluidos e me deixar revirar por dentro depois das estocadas, o pau que me encontrava pronta, os gemidos... mais um quadro, Hilda me encarando e entendendo tudo, a borboleta flertando com meu clitóris, me amaciando, pressionando, pulsando sem parar... mais um quadro, mais um quadro, mais, mais... um clique, uma contração que tentei disfarçar e não consegui... outro quadro, eu suava e não tinha ainda o pau dele, eu ainda... achei que ia babar, umedeci os lábios de saliva antes de mordê-los, Leoni se deliciou e aumentou a velocidade, só um pouco. Meu peito se ergueu quando me esforcei para respirar, fechei os olhos... mais um quadro? Tantas telas, paisagens, corpos de mulheres nuas... mais, me dá mais disso, vem, levanta esse vestido, coloca o dedo... vê como eu tô molhada? Eu vou inundar esse salão! Sentia que ia me escorrer pelas pernas... eu preciso andar e ver mais quadros? O movimento só aumentava minha vontade... eu não vou aguentar, você não vê? Latejava toda, passava mal. Eu passava de todos os limites. Mais, mais, me dá... quadro... teu pau... me chupa?
As senhoras acharam que eu tinha um ataque epilético enquanto eu gozava e me debatia a caminho do banheiro. Ia pelos braços, Hilda de um lado, Leoni do outro.
Com delicadeza, Leoni me livrou daquela borboleta que me fez doida entre as senhoras no museu. Depois me teve no canto do banheiro, de pé. Não havia mais perigo porque Hilda cuidava da porta, mas de vez em quando olhava pelo espelho e gostava do que via.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
quarenta e cinco
OUTRA FORMA DE AMAR
Nos meus planos eu não veria mais Leoni. Ele tinha as fotos e eu nem expectativas tinha mais a respeito daquela noite. Não ia esquecer o que ele me fez sentir, ia cantar e deixar o tempo passar, para ele ser uma lembrança boa.
Cantava empolgada com a casa cheia, pois era primeira vez que isso acontecia. Quando parei para anunciar a segunda música, eu o vi. Era mesmo Leoni no lado esquerdo do bar? Segurava uma long neck na mão. Há quanto tempo estava ali eu não fazia ideia, mas o show não foi o mesmo. Gostei de vê-lo, as músicas foram todas para ele, mas tive medo de que viesse depois.
Estava suada dentro do jeans quando fui encontrá-lo no balcão. Dessa vez, beijo no rosto.
- Oi! Gostou do show?
- Gostei de ver você.
Meu rosto em suas mãos quentes.
- Eu sei do que você gosta.
Todos aqueles sexos pintados, desenhados, fotografados, abertos, oferecidos. Carnes macias de mulher, dobras, uma fenda confortavelmente aberta e convidativa.
- Você não sabe nada de mim.
Não sabia mesmo. Só que era um colecionador...
- Eu não tiro você da cabeça.
Foi como um soco nas minhas certezas.
- O que você quer que eu diga?
- Me manda embora, me dá um soco, não me faz ficar aqui olhando enquanto eu só quero te tocar e te levar comigo.
- Eu não sei o que dizer – balbuciei.
- Eu não te quero, e quero cada vez mais. Eu te digo que não estou pronto pra isso, tenho muitas mulheres, todas que eu quiser, do jeito que quiser, na hora que eu pedir. Eu não, eu não preciso de você, mas não posso esquecer.
Tomei um grande gole da cerveja dele. Nenhuma palavra.
- O que você me diz?
- Eu?
Leoni suava, tirou os óculos, me encarou. Eu já estava tomada pelo suor do show, agora aquele discurso maluco. Tom e Régis observavam da outra ponta do balcão. Eu tinha que fazer alguma coisa.
- Você quer me fotografar de novo?
- Você vem comigo? Você vai vir de novo comigo?
O último gole. Peguei na mão dele e o empurrei. Leoni não estava mais no controle como na outra vez. Ele estava fora de controle. Eu também devia estar.
A câmera ficou comigo. Nós, no tapete da sala, cercados por todas as mulheres que passaram pelas mãos dele, pelo pau dele, pela boca, que se excitaram tirando a roupa e os óculos dele.
- Espera, vou tomar um banho.
- Não, quero sentir teu suor.
Seus olhos ansiavam, pediam, imploravam que eu descesse sobre ele. Tirei a blusa, o jeans ele ajudou a puxar. Eu não tinha a pressa habitual. Para que a pressa? A madrugada prosseguia lá fora, as buzinas, o riso , as vozes que ecoavam nas calçadas sem nos afetar. Fui ajoelhando até sentar em seu peito. Rocei meus pelos em seus pelos, meu suor no suor dele. Me excitei sem olhar para elas na fotos, bocetas, xoxotas, vaginas nada inocentes à espreita nas paredes. Meu olhar era dele. As luzes me deixavam ver suas pupilas dilatadas de tanto querer.
- Vem.
As duas mãos me puxaram pelos quadris em direção ao rosto dele.
- Eu vou.
A fricção no queixo dele me deliciou. Nossos pelos se emaranharam, subi mais, deslizei até encontrar o encaixe entre meu sexo e sua boca. Ali eu fiquei, sem paz, mal respirando enquanto seus lábios sorviam meu suor, minha essência. Se já não fosse, podia ser dele. Sem querer, sem amor, só a confusão de sentimentos, de fluidos, a ânsia pelo próximo movimento.
Quando era para ser, foi. E foi com tanta intensidade que derramei o líquido do meu gozo em seu rosto. Só por isso Leoni se apaixonou perdidamente e se lambeu e me lambeu e nunca mais quis que eu saísse de sua vida.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
quarenta e quatro
O COLECIONADOR
Eu saía do bar depois do show quando senti um puxão no cabelo e alguém gritou meu nome. Quem é esse? Olhei para trás para devolver o “carinho” e ele me pediu um... autógrafo?! Parei. Ele devia estar bêbado e fora de si, mas era engraçado.
Ele me pegou desprevenida entre Samuel e Dado, me beijou. Era esse o autógrafo? Senti a língua na boca, tão rápida sinuosa, e quando achei que ia me envolver naquele beijo Régis já tinha me puxado perguntando se estava tudo bem, já que ninguém conhecia o homem. Na hora menti que era um amigo de Karen, me deixei levar por mais esse impulso. O cara de óculos e barba rala me interessava. Havia dois anos que não olhava para ninguém. Era tempo demais! Desde aquele dia com Chico... na cama. Seu Érico não tinha conseguido suportar a realidade e Chico parou de falar comigo, acho que casou. Não tinha certeza, mas também não queria saber.
Segui com um sorriso curioso estampado na cara. Entramos juntos em um prédio espelhado a poucos metros do bar. Fiquei olhando para trás para marcar algum ponto fácil de lembrar no caso de ter que sair correndo. Autógrafo... meu fã... Até que ponto?
Eu era só euforia e queria que tudo fosse uma grande diversão. Devia estar bêbada? Não! Vamos logo! Enquanto ele abria um vinho corri pela sala. Fazia tanto tempo que eu não me permitia, tanto... por quê? Vi fotos, gravuras imensas, pinturas de mulheres nuas, expostas e sorridentes com as pernas escancaradas. Algumas imagens ampliadas, quase distorcidas. Vulvas rosadas que se abriam para mostrar clitóris, pequenos e grandes lábios convidativos, assanhados. Entendi.
- Já sei o que tipo de autógrafo você quer - me joguei como criança na cadeira de balanço e levantei o vestido para provocá-lo. Usava uma calcinha branca e transparente, que mostrava meus pelos por baixo do tecido delicado. Instintivamente, fechei as pernas, como se ele não pudesse ver minha quase nudez. Ri sozinha e deixei o vestido cair por cima.
- Como é seu nome mesmo?
- Leoni.
Ele segurava uma câmera e me observava com curiosidade. Câmera? Não entendi. Eu prestava atenção nele. Estava sem óculos e sem camisa. Leoni... Os pelos que surgiam logo abaixo do umbigo davam uma mostra do que viria a seguir.
- O meu é...
- Nina. Eu já sei quem você é. Vi vários shows seus naquele bar.
De repente ele não pareceu tão inocente como quando me beijou na frente de todos. Ninguém sabia onde estávamos. E eu disse a Régis que ele era um amigo, portanto não havia nada de suspeito na nossa saída e minha ausência só seria sentida no dia seguinte. Agora éramos eu e ele. Eu e Leoni?
- Então você já me conhece... você quer me fotografar? – abri as pernas. – Pode fotografar.
Leoni tomou um gole no gargalo, ajoelhou-se entre meus joelhos e cantou a última música do show de uma maneira mais suave ao mesmo tempo em que me acariciava a virilha. O movimento da cadeira, o vestido mal cobria as coxas. Ele afastou a calcinha. Não totalmente, deixando à mostra uma parte da penugem encaracolada. Um suspiro, meu. Não me tocou imediatamente, ficou olhando, admirando a forma triangular que se formava, clara e abundante. O que você quer de mim, estranho? Vai fazer um quadro para botar na sala e mostrar aos amigos ou só um papel de parede para o computador?
Ele me cobriu de novo e me sentiu por cima da transparência, era bom! Puxou um pouco do tecido com os dentes até alcançar a carne e deu o primeiro clique.
- Coloca a perna aqui.
Obedeci e coloquei os dois pés nos ombros deles. A câmera ficou no chão para ele poder me morder de leve e começar a enrolar a calcinha.
- Você vai só me fotografar?
De repente ele não pareceu tão inocente como quando me beijou na frente de todos. Ninguém sabia onde estávamos. E eu disse a Régis que ele era um amigo, portanto não havia nada de suspeito na nossa saída e minha ausência só seria sentida no dia seguinte. Agora éramos eu e ele. Eu e Leoni?
- Então você já me conhece... você quer me fotografar? – abri as pernas. – Pode fotografar.
Leoni tomou um gole no gargalo, ajoelhou-se entre meus joelhos e cantou a última música do show de uma maneira mais suave ao mesmo tempo em que me acariciava a virilha. O movimento da cadeira, o vestido mal cobria as coxas. Ele afastou a calcinha. Não totalmente, deixando à mostra uma parte da penugem encaracolada. Um suspiro, meu. Não me tocou imediatamente, ficou olhando, admirando a forma triangular que se formava, clara e abundante. O que você quer de mim, estranho? Vai fazer um quadro para botar na sala e mostrar aos amigos ou só um papel de parede para o computador?
Ele me cobriu de novo e me sentiu por cima da transparência, era bom! Puxou um pouco do tecido com os dentes até alcançar a carne e deu o primeiro clique.
- Coloca a perna aqui.
Obedeci e coloquei os dois pés nos ombros deles. A câmera ficou no chão para ele poder me morder de leve e começar a enrolar a calcinha.
- Você vai só me fotografar?
- É o que você quer?
Depois que fiquei sem calcinha não desviei mais dos closes que me cercavam. As mulheres e seus sexos monumentais que queriam me engolir. A visão delas me deixava agitada, eu queria tocá-las, inundá-las com minha excitação. E Leoni continuava: outro clique.
Os dedos dele se colocaram entre os grandes lábios, me abriram com delicadeza, apertaram de leve. Mais um clique. Quem acreditaria se eu dissesse? Uma das mãos segurava a câmera e a outra às vezes me dedilhava, às vezes apenas afagava os pelos, puxava-os para os lados de modo que pudesse ver. E cantarolava.
Depois que fiquei sem calcinha não desviei mais dos closes que me cercavam. As mulheres e seus sexos monumentais que queriam me engolir. A visão delas me deixava agitada, eu queria tocá-las, inundá-las com minha excitação. E Leoni continuava: outro clique.
Os dedos dele se colocaram entre os grandes lábios, me abriram com delicadeza, apertaram de leve. Mais um clique. Quem acreditaria se eu dissesse? Uma das mãos segurava a câmera e a outra às vezes me dedilhava, às vezes apenas afagava os pelos, puxava-os para os lados de modo que pudesse ver. E cantarolava.
Pousei uma perna de cada vez no braço da cadeira. O convite estava feito, eu estava pronta e ansiosa. Logo Leoni estava sobre mim aproveitando o movimento da cadeira de balanço. Pelo que entendi, o autógrafo era a foto, e se eu tinha ganhado momentos de prazer também tinha feito um homem feliz com alguns cliques.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
quarenta e três
ME LEVA DAQUI
Eu lembro que gritei e todas as gaivotas se agitaram na beira da praia. Gritei porque Jean tinha um olhar assustado e não conseguia se defender da fúria de meu irmão, e eu era responsável por aquilo tudo. Ele aproveitou a distração de Chico e correu. Fiquei aliviada. Agora éramos nós dois.
- Vai me bater também? - provoquei. Não tinha mais nada a perder.
- Você é uma idiota! Eu não consigo acreditar que você veio pra ferrar comigo. O que é que tu tem na cabeça?
- Você sabe por que eu fiz.
- Eu não quero mais ouvir esse papo. Eu tô fora. Eu cansei, entendeu? Cansei!
Antes de me dar as costas, jogou a camiseta sobre mim.
- Chico, volta!
Ele não dormiu em casa naquele dia e quando voltou na manhã seguinte seu Érico estava na padaria.
- Onde você dormiu?
Em resposta ele bateu a porta do quarto, o que não era suficiente para me deter. Entrei, ele estava de cueca procurando uma camiseta limpa no armário. Não se virou, não me olhou.
- Você vai trabalhar?
Ele me ignorava. Passou por mim como se eu não estivesse lá e foi até o banheiro.
- Agora você não vai falar comigo? Não vamos discutir relação? Você não vai criticar meu comportamento, me esculhambar como faz sempre?
Ele fazia a barba muito sério, mas continuava em silêncio. Eu tive apenas que me colocar entre ele e a pia. Mesmo cheio de espuma seu rosto não conseguiu esconder que não era indiferente à minha presença. A mão que segurava o aparelho de barbear caiu. A outra me apertou as bochechas.
- Pega as tuas coisas e volta pra São Paulo, Nina. Vai ser melhor assim.
- É isso que você quer?
- É tudo que eu quero.
Se a mão tremia tanto era porque ele não tinha certeza do que dizia. Meu corpo estava muito próximo ao dele.
- Vem comigo, Chico.
A pressão aumentou com minhas palavras e repentinamente foi diminuindo até parar. Ele considerava a questão?
- Eu arrumo um lugar pra gente morar e você larga essa vida aqui.
Chico passou a toalha no rosto para tirar a espuma e me beijou como se a intenção maior fosse me levar de mim. Beijo longo, beijo louco. Eu respirava o ar dele enquanto ele tentava tirar o meu. Ele me cheirava, me beijava, me mordia, me tinha. Me leva.
Levantei a blusa. Ele viu com outros olhos os peitos que já tinha tocado debaixo d'água. Eram os peitos que na adolescência me mandava cobrir com sutiã quando eu andava pela casa com os mamilos espetando a camiseta. Ele sempre evitou um olhar mais demorado, parecia ter medo do que poderia acontecer se ousasse encará-los. Agora em suas mãos, os bicos enrijeceram ao toque. Eu amoleci. Ele tomou-os com delicadeza, saboreou cada um entre os lábios, apertou-os entre os dedos para endurecê-los ainda mais. Enlouqueci. Me leva.
ME LEVA DAQUI
Eu lembro que gritei e todas as gaivotas se agitaram na beira da praia. Gritei porque Jean tinha um olhar assustado e não conseguia se defender da fúria de meu irmão, e eu era responsável por aquilo tudo. Ele aproveitou a distração de Chico e correu. Fiquei aliviada. Agora éramos nós dois.
- Vai me bater também? - provoquei. Não tinha mais nada a perder.
- Você é uma idiota! Eu não consigo acreditar que você veio pra ferrar comigo. O que é que tu tem na cabeça?
- Você sabe por que eu fiz.
- Eu não quero mais ouvir esse papo. Eu tô fora. Eu cansei, entendeu? Cansei!
Antes de me dar as costas, jogou a camiseta sobre mim.
- Chico, volta!
Ele não dormiu em casa naquele dia e quando voltou na manhã seguinte seu Érico estava na padaria.
- Onde você dormiu?
Em resposta ele bateu a porta do quarto, o que não era suficiente para me deter. Entrei, ele estava de cueca procurando uma camiseta limpa no armário. Não se virou, não me olhou.
- Você vai trabalhar?
Ele me ignorava. Passou por mim como se eu não estivesse lá e foi até o banheiro.
- Agora você não vai falar comigo? Não vamos discutir relação? Você não vai criticar meu comportamento, me esculhambar como faz sempre?
Ele fazia a barba muito sério, mas continuava em silêncio. Eu tive apenas que me colocar entre ele e a pia. Mesmo cheio de espuma seu rosto não conseguiu esconder que não era indiferente à minha presença. A mão que segurava o aparelho de barbear caiu. A outra me apertou as bochechas.
- Pega as tuas coisas e volta pra São Paulo, Nina. Vai ser melhor assim.
- É isso que você quer?
- É tudo que eu quero.
Se a mão tremia tanto era porque ele não tinha certeza do que dizia. Meu corpo estava muito próximo ao dele.
- Vem comigo, Chico.
A pressão aumentou com minhas palavras e repentinamente foi diminuindo até parar. Ele considerava a questão?
- Eu arrumo um lugar pra gente morar e você larga essa vida aqui.
Chico passou a toalha no rosto para tirar a espuma e me beijou como se a intenção maior fosse me levar de mim. Beijo longo, beijo louco. Eu respirava o ar dele enquanto ele tentava tirar o meu. Ele me cheirava, me beijava, me mordia, me tinha. Me leva.
Levantei a blusa. Ele viu com outros olhos os peitos que já tinha tocado debaixo d'água. Eram os peitos que na adolescência me mandava cobrir com sutiã quando eu andava pela casa com os mamilos espetando a camiseta. Ele sempre evitou um olhar mais demorado, parecia ter medo do que poderia acontecer se ousasse encará-los. Agora em suas mãos, os bicos enrijeceram ao toque. Eu amoleci. Ele tomou-os com delicadeza, saboreou cada um entre os lábios, apertou-os entre os dedos para endurecê-los ainda mais. Enlouqueci. Me leva.
Ele parou para me olhar, eu podia jurar que vi, além da excitação, uma pontinha de dúvida em seus olhos. Eu o puxei para mim, para afastar qualquer chance de separação.
- Não me deixa, Chico.
Chico se ajoelhou diante de mim e baixou minha bermuda.
- Eu queria que fosse só você, Chico... só você, sempre...
A calcinha ficou aos meus pés.
- Chico...
Ele tirou a cueca.
- Cala a boca.
Parei de falar. Paramos um diante do outro. Éramos dois amantes clandestinos que arfavam desesperadamente pela possibilidade de repetir nosso ato de amor. Caminhamos nus, de mãos dadas, até o quarto dele. Eu me deitei primeiro na cama de solteiro, ele me cobriu com seu corpo e foi como se fosse a primeira vez. A mesma sensação de umidade na virilha, os mamilos eretos, despertos, o sexo intumescido pela expectativa da penetração, os braços quase pregados à cama, aguardando que ele tomasse a iniciativa. Me leva...
- Não me deixa, Chico.
Chico se ajoelhou diante de mim e baixou minha bermuda.
- Eu queria que fosse só você, Chico... só você, sempre...
A calcinha ficou aos meus pés.
- Chico...
Ele tirou a cueca.
- Cala a boca.
Parei de falar. Paramos um diante do outro. Éramos dois amantes clandestinos que arfavam desesperadamente pela possibilidade de repetir nosso ato de amor. Caminhamos nus, de mãos dadas, até o quarto dele. Eu me deitei primeiro na cama de solteiro, ele me cobriu com seu corpo e foi como se fosse a primeira vez. A mesma sensação de umidade na virilha, os mamilos eretos, despertos, o sexo intumescido pela expectativa da penetração, os braços quase pregados à cama, aguardando que ele tomasse a iniciativa. Me leva...
Chico veio aos poucos, para que eu me acostumasse ao jeito como se movia e me penetrava e roçava em meu clitóris. E eu estava de tal forma seduzida que não ouvi a porta da frente se abrir. Nem ele. E continuou sobre mim, e eu gemi, e ele veio mais forte, eu gemi mais alto até ver meu pai parado na porta, os olhos esbugalhados de espanto e repulsa. Pensei pela última vez: me leva, me leva daqui, Chico, para bem longe.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
quarenta e dois
A VINGANÇA É UM PRATO
Apareci em casa quinze dias antes para ver de perto a besteira que Chico estava tentando fazer. Era domingo, ele estava de folga e fui encontrá-lo na praia jogando vôlei com uma turma de amigos. Fingi estar tudo bem.
Foi aí que esbarrei em Jean. Ele era um dos amigos de infância de Chico que nunca conseguiram chegar perto de mim. Chico tinha mania de escondê-lo de mim. Quando ele estava em casa e eu aparecia, Chico se trancava com ele no quarto até eu desaparecer de sua vista. Eu achava que era coisa de meninos e não dava atenção. Nunca troquei mais que duas palavras com o cara, mas agora...
Jean era atlético e gentil, tudo que eu precisava para fazer meu irmão acordar. E ainda saiu do jogo para sentar comigo na areia. Ponto para mim. Chico ficou olhando e deixou a bola cair. Você pediu.
- Tudo bem? - perguntei.
- Não sei se o Chicão vai curtir me ver com você.
- Você tá fazendo alguma coisa de errado?
- Acho que não.
- Então tá tudo certo. Eu sei me cuidar muito bem.
Vi que com Chico por perto não seria fácil, mas não podia deixar de tentar. Deitei e desfiz o laço nas costas. O sol quente - que horas seriam? -, a areia e Jean. Logo fiquei meio mole, sonolenta, os olhos foram ficando pesados e fui relaxando. Uma gaivota pousou bem perto e fez barulho, eu sorri, ela rodeou um pouco e se foi.
A VINGANÇA É UM PRATO
Apareci em casa quinze dias antes para ver de perto a besteira que Chico estava tentando fazer. Era domingo, ele estava de folga e fui encontrá-lo na praia jogando vôlei com uma turma de amigos. Fingi estar tudo bem.
Foi aí que esbarrei em Jean. Ele era um dos amigos de infância de Chico que nunca conseguiram chegar perto de mim. Chico tinha mania de escondê-lo de mim. Quando ele estava em casa e eu aparecia, Chico se trancava com ele no quarto até eu desaparecer de sua vista. Eu achava que era coisa de meninos e não dava atenção. Nunca troquei mais que duas palavras com o cara, mas agora...
Jean era atlético e gentil, tudo que eu precisava para fazer meu irmão acordar. E ainda saiu do jogo para sentar comigo na areia. Ponto para mim. Chico ficou olhando e deixou a bola cair. Você pediu.
- Tudo bem? - perguntei.
- Não sei se o Chicão vai curtir me ver com você.
- Você tá fazendo alguma coisa de errado?
- Acho que não.
- Então tá tudo certo. Eu sei me cuidar muito bem.
Vi que com Chico por perto não seria fácil, mas não podia deixar de tentar. Deitei e desfiz o laço nas costas. O sol quente - que horas seriam? -, a areia e Jean. Logo fiquei meio mole, sonolenta, os olhos foram ficando pesados e fui relaxando. Uma gaivota pousou bem perto e fez barulho, eu sorri, ela rodeou um pouco e se foi.
Ao perceber que Chico gritava com os companheiros, quase me dei por satisfeita. Ele estava irritado por eu estar deitada sem a parte de cima do biquíni ao lado de Jean. Excitação repentina. E se eu...? Pedi que passasse protetor nas minhas costas com todas as más intenções possíveis. Provocação. Sem hesitar, Jean se ajoelhou e enfiou a mão na bolsa.
A sensação de frio do creme foi logo se dissipando com o calor e as mãos quentes dele, que começaram a se movimentar por toda a extensão da minha pele. Eu me excitava com o toque dele e sabia que Chico não tirava os olhos dessa cena e se atrapalhava cada vez mais no jogo.
- Vamos procurar um canto mais sossegado?
A sugestão foi minha, antes que Chico quisesse dar uma de irmão superprotetor.
Andamos lado a lado na beira da praia até não conseguir mais ouvir a voz de Chico. Estávamos a sós, cercados de areia e água. Notei que Jean não iria tomar iniciativa, então fiquei na ponta dos pés e o beijei. O beijo era salgado, a língua áspera e habilidosa dele me envolvia. Se soubesse que era tão bom teria vindo antes. Involuntariamente mexi os quadris e ele me deitou na areia, desatou um laço do biquíni, depois o outro, jogou a calcinha longe e deslizou a mão entre minhas coxas, abrindo-me as pernas. Então esse era o Jean de quem Chico queria me defender. Se é assim... Ergui a bunda para ele poder me explorar livremente.
E ali, no meio daquela praia, estava eu deitada de bruços, de pernas abertas. Não havia brisa, não havia mais sombra, e o suor dele pingava em mim, as gotas grossas iam escorrendo até o final das costas. Sentia a tontura do sol de trinta graus mais a excitação causada pelas mãos de Jean. Era a ânsia de tê-lo e o pensamento em Chico que me faziam continuar. Uma gaivota pousou ao lado e passeou um pouco. Seria a mesma? Mantinha alguma distância e nos observava, curiosa.
Ela levantou voo quando Jean me virou e caiu sobre mim, melado, pesado, com o corpo grudado no meu e cheio de areia. São as surpresas da vida... Achei que nunca veria o amigo de Chico assim, com o pau duríssimo me roçando a barriga. Tentei em vão me agarrar aos seus braços, mas ele se levantou um pouco para que eu pudesse vê-lo entrar em mim sem cerimônia. A visão me instigou a rebolar, ao que ele acompanhou dando estocadas violentas que me deixaram o corpo trêmulo. O sol me queimava, Jean me penetrava, meus peitos dançavam conforme os movimentos e eu o puxava para mim.
De repente ele parou, saiu de mim justamente quando eu estava prestes a gozar. Abri os olhos. Foi tudo muito rápido. Vi Chico acertando o rosto do amigo repetidas vezes e me virei, pensando que não teria força para evitar a fúria de um homem ciumento. Eu tinha conseguido.
A gaivota deu um rasante e pousou alguns metros adiante. Tinha quase certeza de que era a mesma que desde o início me acompanhava. Olhei o céu. Eu estava nua, com a pele cheia de areia. Sem fazer ideia de onde estava o biquíni, me dei conta de que não havia mais proteção contra o sol escaldante e os problemas que estavam por vir.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
quarenta e um
PARA TODO O SEMPRE
Chico veio me buscar às dez em ponto. Antes de entrarmos no carro, me ajudou a ajeitar o véu no banco de trás e depois sentou ao meu lado. Seguimos olhando para frente em silêncio, a mão dele sobre a minha, o meu coração aos pulos de tanta ansiedade. Ele achava que assim ia me confortar pelo futuro que me aguardava. O futuro sem a presença dele.
Quando o carro parou, a poucos metros da igreja, quase deixei de respirar:
- Tem que ser agora?
- Sim, não vamos deixar o noivo esperando. Hoje vai ser um dia inesquecível pra você.
PARA TODO O SEMPRE
Chico veio me buscar às dez em ponto. Antes de entrarmos no carro, me ajudou a ajeitar o véu no banco de trás e depois sentou ao meu lado. Seguimos olhando para frente em silêncio, a mão dele sobre a minha, o meu coração aos pulos de tanta ansiedade. Ele achava que assim ia me confortar pelo futuro que me aguardava. O futuro sem a presença dele.
Quando o carro parou, a poucos metros da igreja, quase deixei de respirar:
- Tem que ser agora?
- Sim, não vamos deixar o noivo esperando. Hoje vai ser um dia inesquecível pra você.
Se meu irmão dizia que ia ser um dia inesquecível, eu confiava que ia ser mesmo. Recostei no banco e ofereci os lábios a ele pela última vez. Entreabertos e vermelhos. Ele os tomou com delicadeza, manchando os seus com as evidências do que não poderíamos esconder por muito mais tempo. Não mais a falta de espaço na cama de solteiro, o cheiro dele me impregnando as roupas, o ar que me faltava quando estava por perto.
- Eu não vou conseguir, Chico! Me leva daqui, pelo amor de Deus! Eu não vou conseguir.
- Você vai. Confia que você vai.
- Mas eu não quero.
- Você não sabe o que quer.
- Eu sei, sim.
Outro beijo. E a mancha em torno da boca aumentou, se espalhou pelo rosto e agora todos saberiam a verdade sobre nossa relação incestuosa. O velho motorista já sabia e saiu assustado sem olhar para trás. Não me importei se ele correria para a igreja para gritar aos convidados que eu vivia em pecado. Ah, se me visse. Não, não viu que levantei camadas de tule para conseguir sentar nas coxas de Chico e rasguei o corpete na aflição de me libertar. Meu irmão, o que quer de mim? Minha alma? Meu coração? Como posso pertencer a alguém senão a você?
- Você vai. Confia que você vai.
- Mas eu não quero.
- Você não sabe o que quer.
- Eu sei, sim.
Outro beijo. E a mancha em torno da boca aumentou, se espalhou pelo rosto e agora todos saberiam a verdade sobre nossa relação incestuosa. O velho motorista já sabia e saiu assustado sem olhar para trás. Não me importei se ele correria para a igreja para gritar aos convidados que eu vivia em pecado. Ah, se me visse. Não, não viu que levantei camadas de tule para conseguir sentar nas coxas de Chico e rasguei o corpete na aflição de me libertar. Meu irmão, o que quer de mim? Minha alma? Meu coração? Como posso pertencer a alguém senão a você?
Chico entendeu que aquela era nossa última chance e se entregou como tinha feito na praia, deixando seu desejo em minhas mãos. Eu o queria sempre assim, livre de pudores, irrestritamente apaixonado e incapaz de lutar contra meus sentimentos. E os seus.
Abri a calça, ele enfiou minha mão lá onde eu nunca podia tocar para concretizar a união de nossos sexos sem um par de alianças e o consentimento do padre. Supliquei pelo amor eterno e ele atendeu me colocando de quatro no banco de trás. Daí em diante não precisei mais pedir. Ele se livrou do tecido branco e macio que ainda me cobria e investiu e me penetrou e insistiu até me ouvir gemer alto, até não haver mais medo ou vergonha que me fizesse parar de ondular o corpo. Até eu não dar importância aos olhares escandalizados dos convidados que nos observavam da calçada e buscavam explicação para nossa conduta. Entre eles estavam Bernardo, Gabriel, João, Mateus, Tom, Renan e Caio... acho que era Caio, não tinha certeza. Com o vidro embaçado não pude enxergar se era mesmo ele e de onde partiram os disparos. Foram cinco e pelo menos dois me atingiram, mas eu não parava de gemer e me deleitar com aquele momento único. Sangrei e gozei até meus olhos se fecharem. Sou tua, Chico. Para todo o sempre.
Abri a calça, ele enfiou minha mão lá onde eu nunca podia tocar para concretizar a união de nossos sexos sem um par de alianças e o consentimento do padre. Supliquei pelo amor eterno e ele atendeu me colocando de quatro no banco de trás. Daí em diante não precisei mais pedir. Ele se livrou do tecido branco e macio que ainda me cobria e investiu e me penetrou e insistiu até me ouvir gemer alto, até não haver mais medo ou vergonha que me fizesse parar de ondular o corpo. Até eu não dar importância aos olhares escandalizados dos convidados que nos observavam da calçada e buscavam explicação para nossa conduta. Entre eles estavam Bernardo, Gabriel, João, Mateus, Tom, Renan e Caio... acho que era Caio, não tinha certeza. Com o vidro embaçado não pude enxergar se era mesmo ele e de onde partiram os disparos. Foram cinco e pelo menos dois me atingiram, mas eu não parava de gemer e me deleitar com aquele momento único. Sangrei e gozei até meus olhos se fecharem. Sou tua, Chico. Para todo o sempre.
Escuridão.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quarenta
OBSCENOS
Não sei se por carência ou vingança, mas assim que largou Renan, Letícia me convidou para morar com ela em um dos apartamentos do pai. Fui, com meu violão e umas poucas mudas de roupa. Por que não?
Um mês depois Renan conseguiu descobrir onde eu estava.
- O que você está fazendo aqui?
Ele muito calmo:
- Já que você não atende mais o celular eu vim atrás de você.
Ali estava eu de meia, calcinha e camiseta na frente do ex-marido da minha... minha o que quer que fosse. Teria fechado a porta na cara dele se ele não tivesse colocado metade do corpo para dentro. Ele avançou sobre mim:
- Por que não me contou que estava com ela?
- Eu não estou com ela... não como você pensa.
- Vocês não estão transando?
Que pergunta!
- Às vezes, mas isso te não interessa.
OBSCENOS
Não sei se por carência ou vingança, mas assim que largou Renan, Letícia me convidou para morar com ela em um dos apartamentos do pai. Fui, com meu violão e umas poucas mudas de roupa. Por que não?
Um mês depois Renan conseguiu descobrir onde eu estava.
- O que você está fazendo aqui?
Ele muito calmo:
- Já que você não atende mais o celular eu vim atrás de você.
Ali estava eu de meia, calcinha e camiseta na frente do ex-marido da minha... minha o que quer que fosse. Teria fechado a porta na cara dele se ele não tivesse colocado metade do corpo para dentro. Ele avançou sobre mim:
- Por que não me contou que estava com ela?
- Eu não estou com ela... não como você pensa.
- Vocês não estão transando?
Que pergunta!
- Às vezes, mas isso te não interessa.
Eu nunca teria ido atrás, não sentia necessidade da presença dele como acontecia com Bernardo. Mas era ele se aproximar para eu me lembrar das coisas que ele era capaz de fazer comigo e desejar mais.
- E o que ela faz você sentir?
Fiquei contra a parede. A mão me tocou por cima da calcinha.
- Eu não vou falar.
- E o que ela faz você sentir?
Fiquei contra a parede. A mão me tocou por cima da calcinha.
- Eu não vou falar.
A mão começou a se movimentar. Pequenos círculos ao redor do clitóris.
- É assim que ela faz no teu grelinho?
- Não é assim, é...
Com a outra mão segurou meu rosto, que desapareceu entre os dedos dele. Dedos grandes que cruzaram a fronteira da lycra e sumiram entre meus pelos. Se me bastava aquela masturbação frenética? Não mais. Já que ele me fez quebrar a promessa que fiz a Letícia... amoleci com os três dedos que cercavam a abertura do meu sexo e queriam se enfiar, todos de uma vez. Não tinha onde me agarrar, peguei no pau dele, abri o jeans, puxei, tirei o pau para fora de uma vez.
- É assim que ela faz no teu grelinho?
- Não é assim, é...
Com a outra mão segurou meu rosto, que desapareceu entre os dedos dele. Dedos grandes que cruzaram a fronteira da lycra e sumiram entre meus pelos. Se me bastava aquela masturbação frenética? Não mais. Já que ele me fez quebrar a promessa que fiz a Letícia... amoleci com os três dedos que cercavam a abertura do meu sexo e queriam se enfiar, todos de uma vez. Não tinha onde me agarrar, peguei no pau dele, abri o jeans, puxei, tirei o pau para fora de uma vez.
Fiquei de joelhos diante dele, o pau bem diante da boca. Abri para recebê-lo, ele balançou, roçou-o em meus lábios, em todo o rosto para me deixar com mais vontade.
- Me dá...
A submissa.
- Você quer meu pau?
Eu não tinha força para lutar.
- Quero...
- Onde você quer? Na boca, no cu ou na buceta?
Renan se masturbava para mim. Com o movimento às vezes tocava a ponta do pau na minha boca. Eu ia enlouquecer se não o sentisse.
- Onde você quiser. Por favor...
- Me dá...
A submissa.
- Você quer meu pau?
Eu não tinha força para lutar.
- Quero...
- Onde você quer? Na boca, no cu ou na buceta?
Renan se masturbava para mim. Com o movimento às vezes tocava a ponta do pau na minha boca. Eu ia enlouquecer se não o sentisse.
- Onde você quiser. Por favor...
Ele quis do jeito dele. Não sei se deveria dizer que ele me comeu, me fodeu ou transou comigo. Foi de pé, eu com uma perna levantada que ele segurava, eu esmagava contra a parede. Foi de quatro em cima da mesinha da sala. Dupla e inesperada penetração da qual nem tive medo. Rebolei e o dedo também me deu prazeres indizíveis. E aquela loucura toda só acabou porque ele me segurou em seu colo e me trouxe tão para perto que não aguentei o atrito e me larguei em seus braços gozando e me contorcendo.
Fomos embora logo depois de tomar uma chuveirada. Ele queria hambúrger, mas o convenci a comer pizza. Já tinha cedido muito por um dia.
Fomos embora logo depois de tomar uma chuveirada. Ele queria hambúrger, mas o convenci a comer pizza. Já tinha cedido muito por um dia.
quinta-feira, 31 de março de 2011
trinta e nove
EU E ELA
O pior foi que Renan levou nosso caso a sério e deixou escapar que não podia mais viver sem mim. Eu podia muito bem viver sem ele, andava de novo na cama de Bernardo, e ainda tinha a banda e umas aulas particulares de violão toda semana. Quando sobrava tempo, era para os encontros com Renan. Sempre à tarde, em motéis de luxo.
Até que Letícia estragou tudo.
Ela desabou assim que abri a porta. Eu sabia por que ela chorava e me sentia culpada por não ter colocado tudo às claras, mas esperei em silêncio. Letícia soluçava, falava desconexamente sobre não ser amada e estar arrependida do casamento.
- Você acha que eu devo pedir o divórcio?
O que eu acho? Quase engasguei. Se podia ajudar, não seria dizendo a verdade naquele momento. Fugi da resposta oferecendo a ela uma cerveja. Letícia aceitou e pediu para ficar, explicou que seu pai estava viajando e não queria ter que voltar para Renan.
- Eu tenho nojo dele, Nina. Eu quero que ele morra! Ele e a piranha que ele arrumou!
Àquela hora eu deveria estar saindo para pegar um táxi e encontrá-lo. Tinha acabado de tomar banho, mal enxugei o corpo porque ele gostava de tocar minha pele úmida, ele esperava por isso. Mas agora ela estava ali sentada do meu lado falando mal dele. Bebi com um olho nela e outro na bolsa sobre a mesa - se demorasse mais um pouco ele ia acabar ligando.
Ela não parava de falar e beber, estava ficando fora de controle. Não havia muito mais que fazer.
- Letícia, eu... eu preciso sair. Tenho um... compromisso.
- Fica comigo, Nina. Só hoje. Eu tô tão sozinha que acho que vou fazer uma besteira.
Hesitei. Mas...
- Não dá, juro. Tem gente me esperando.
- Por favor.
Como ia sair se ela se agarrava às minhas pernas?
- Eu prometo que hoje à noite a gente faz alguma coisa juntas.
- Não vai, não. Fica comigo.
Letícia me abraçava pelos quadris, seu rosto pressionava minha barriga. Daquele jeito eu não conseguiria me livrar dela tão fácil.
- Tá, mas não posso demorar.
Ela se pôs de pé diante de mim e sorriu. Eu também sorri e relaxei. Foda-se. Nos abraçamos como as amigas que nunca fomos nem nunca seríamos e então Letícia me surpreendeu com um beijo na boca que tão cedo não esqueceria.
- Espera.
Não me foi dada a chance de resistir. A boca de Letícia se apoderava da minha com sofreguidão e quase não me deixava respirar. Procurei rapidamente uma resposta nos olhos dela, que encaravam os meus e não traziam mais tristeza neles. Correspondi, aceitei a língua que brincava com a minha, mas a mordi depois para que ela não tentasse me dominar. Letícia entendeu e passou a língua de leve em meus lábios. Era só isso? Mostrei que não usava nada sob o vestido levando sua mão até lá. Ficamos nuas. Ela por cima, quis fazer sessenta e nove. Claro!
Meu sexo em suas mãos, meu sexo em sua boca. Nessa hora deixei Renan de lado, mas não foi por querer, foi por tesão. Letícia, a esposa tão fria e distante, me mordiscava o clitóris com habilidade que nunca tinha visto nem em Karen. Eu recebia as carícias e tentava repeti-las nela do meu jeito. Lambia, amaciava, sugava gentilmente, mas ela sabia fazer melhor. Só assim para eu deixar o celular tocando e esquecer que um dia existiu um encontro com Renan às quatro no motel.
EU E ELA
O pior foi que Renan levou nosso caso a sério e deixou escapar que não podia mais viver sem mim. Eu podia muito bem viver sem ele, andava de novo na cama de Bernardo, e ainda tinha a banda e umas aulas particulares de violão toda semana. Quando sobrava tempo, era para os encontros com Renan. Sempre à tarde, em motéis de luxo.
Até que Letícia estragou tudo.
Ela desabou assim que abri a porta. Eu sabia por que ela chorava e me sentia culpada por não ter colocado tudo às claras, mas esperei em silêncio. Letícia soluçava, falava desconexamente sobre não ser amada e estar arrependida do casamento.
- Você acha que eu devo pedir o divórcio?
O que eu acho? Quase engasguei. Se podia ajudar, não seria dizendo a verdade naquele momento. Fugi da resposta oferecendo a ela uma cerveja. Letícia aceitou e pediu para ficar, explicou que seu pai estava viajando e não queria ter que voltar para Renan.
- Eu tenho nojo dele, Nina. Eu quero que ele morra! Ele e a piranha que ele arrumou!
Àquela hora eu deveria estar saindo para pegar um táxi e encontrá-lo. Tinha acabado de tomar banho, mal enxugei o corpo porque ele gostava de tocar minha pele úmida, ele esperava por isso. Mas agora ela estava ali sentada do meu lado falando mal dele. Bebi com um olho nela e outro na bolsa sobre a mesa - se demorasse mais um pouco ele ia acabar ligando.
Ela não parava de falar e beber, estava ficando fora de controle. Não havia muito mais que fazer.
- Letícia, eu... eu preciso sair. Tenho um... compromisso.
- Fica comigo, Nina. Só hoje. Eu tô tão sozinha que acho que vou fazer uma besteira.
Hesitei. Mas...
- Não dá, juro. Tem gente me esperando.
- Por favor.
Como ia sair se ela se agarrava às minhas pernas?
- Eu prometo que hoje à noite a gente faz alguma coisa juntas.
- Não vai, não. Fica comigo.
Letícia me abraçava pelos quadris, seu rosto pressionava minha barriga. Daquele jeito eu não conseguiria me livrar dela tão fácil.
- Tá, mas não posso demorar.
Ela se pôs de pé diante de mim e sorriu. Eu também sorri e relaxei. Foda-se. Nos abraçamos como as amigas que nunca fomos nem nunca seríamos e então Letícia me surpreendeu com um beijo na boca que tão cedo não esqueceria.
- Espera.
Não me foi dada a chance de resistir. A boca de Letícia se apoderava da minha com sofreguidão e quase não me deixava respirar. Procurei rapidamente uma resposta nos olhos dela, que encaravam os meus e não traziam mais tristeza neles. Correspondi, aceitei a língua que brincava com a minha, mas a mordi depois para que ela não tentasse me dominar. Letícia entendeu e passou a língua de leve em meus lábios. Era só isso? Mostrei que não usava nada sob o vestido levando sua mão até lá. Ficamos nuas. Ela por cima, quis fazer sessenta e nove. Claro!
Meu sexo em suas mãos, meu sexo em sua boca. Nessa hora deixei Renan de lado, mas não foi por querer, foi por tesão. Letícia, a esposa tão fria e distante, me mordiscava o clitóris com habilidade que nunca tinha visto nem em Karen. Eu recebia as carícias e tentava repeti-las nela do meu jeito. Lambia, amaciava, sugava gentilmente, mas ela sabia fazer melhor. Só assim para eu deixar o celular tocando e esquecer que um dia existiu um encontro com Renan às quatro no motel.
quinta-feira, 24 de março de 2011
trinta e oito
AMANTÍSSIMA
O buquê ia passar por mim e acertar a cabeça de alguém. Só estiquei um pouco o braço e apanhei no ar o amontoado de rosas vermelhas. Muitas pétalas se soltaram. E agora, o que eu faço?
Sob os olhares da noiva e dos outros convidados, Gabriel correu na minha direção e me deu um beijo como eu fosse a próxima a me vestir de branco. Não fechei os olhos, não via Renan. Cantar durante a entrada da noiva tinha sido um pretexto para me atrair, e eu aceitei, pensando no que ele faria.
Até aquele momento, nada. Ele havia me encarado quando comecei a cantar a música que escolhera, mas assim que Letícia entrou no salão eu não era mais o foco, ele só tinha olhos para ela.
Gabriel tentou me animar. Ele sabia que eu não gostava daquele tipo de festa nem de ter que segurar o vestido de Karen para caminhar. O tecido varria o chão e me impedia os movimentos.
Bebi, dancei com o pai do noivo sem saber dançar. Ele prometeu me ensinar e fingi acreditar que seria capaz de tal proeza. Cada vez que tentava agarrar uma ponta do vestido pisava no pé do homem com aqueles saltos finos que doíam. Ele ria, muito educado, mas assim que viu o filho passar entregou a tarefa a ele.
Renan mostrou sua boa educação ao beijar o dorso da minha mão, mas eu preferia o de antes, aquele que me obrigou a tomar uma atitude. Esse começou a se manifestar sutilmente depois da terceira música. Senti a mão me apertar as costas. Estávamos colados um no outro, isso dava medo. E excitação. E se os outros percebessem? Pior, se Letícia viesse tomar satisfação?
A mão foi quase até o fim do decote.
- Aqui não!
Ele estava bêbado, eu não. Não a esse ponto.
- Na sala de jogos? - sugeriu. A mão tamborilava ali onde não havia mais tecido, apenas a pele.
- Daqui a meia hora.
Não achei Gabriel nas mesas dentro da casa. Onde ele foi se meter? Pedi um uísque ao garçom para tomar coragem. Ele demorou, eu não sabia se subia as escadas ou procurava Gabriel para ir embora.
Não havia nada acontecendo no andar de cima, e a sala de jogos ficava bem afastada da festa. Mas ainda assim era perigoso. Olhei, vasculhei, ninguém à vista. Só então abri a porta e entrei. A sala estava vazia e silenciosa. Fiquei ali, não sei quanto tempo, brincando de jogar sinuca. Renan veio quando eu não esperava mais que viesse. Trouxe uma garrafa de champanhe e duas taças, não sabia como tinha conseguido subir com isso sem ser notado.
- Oi - ele disse.
- Oi - eu respondi.
Foi tudo que conversamos. Ele afouxou o nó da gravata, eu tirei a calcinha e a joguei sobre o feltro verde. Andei ao redor da mesa e fui colocando as bolas nos buracos. Depois sentei na borda de madeira, puxei o vestido até o joelho. Karen se importaria se de alguma forma eu sujasse o vestido? As mãos, minhas próprias mãos, arranhavam as coxas e iam puxando mais o vestido para cima, e faziam com que voltasse até onde estava, e linhas vermelhas marcavam a pele cada vez mais.
Ele me parou, segurou minhas mãos. Eu apertei as dele. Grandes, bem feitas. Vi a aliança em seu dedo anular, não quis lembrar o que significava a partir daquela noite. Fechei os olhos e lambi esse dedo comprometido, coloquei-o todo na boca e chupei. Lentamente, muito lentamente, envolvi a aliança em saliva e puxei com os dentes. Ele já não prestava mais atenção, eu sabia bem o que queria. Mostrei a língua com a aliança na ponta antes de nos beijarmos.
A aliança foi parar em algum lugar, acho que ele a atirou longe para poder sentir-se mais livre dentro de mim. Eu não usava véu e não tinha mais o buquê nem a calcinha que me afastava desses prazeres proibidos. Tornava-me de maneira oficial a amante que abria os grandes lábios à vontade e mostrava a carne pulsante de que era feita e o convidava a se banquetear nela. E não, não me arrependeria jamais disso.
AMANTÍSSIMA
O buquê ia passar por mim e acertar a cabeça de alguém. Só estiquei um pouco o braço e apanhei no ar o amontoado de rosas vermelhas. Muitas pétalas se soltaram. E agora, o que eu faço?
Sob os olhares da noiva e dos outros convidados, Gabriel correu na minha direção e me deu um beijo como eu fosse a próxima a me vestir de branco. Não fechei os olhos, não via Renan. Cantar durante a entrada da noiva tinha sido um pretexto para me atrair, e eu aceitei, pensando no que ele faria.
Até aquele momento, nada. Ele havia me encarado quando comecei a cantar a música que escolhera, mas assim que Letícia entrou no salão eu não era mais o foco, ele só tinha olhos para ela.
Gabriel tentou me animar. Ele sabia que eu não gostava daquele tipo de festa nem de ter que segurar o vestido de Karen para caminhar. O tecido varria o chão e me impedia os movimentos.
Bebi, dancei com o pai do noivo sem saber dançar. Ele prometeu me ensinar e fingi acreditar que seria capaz de tal proeza. Cada vez que tentava agarrar uma ponta do vestido pisava no pé do homem com aqueles saltos finos que doíam. Ele ria, muito educado, mas assim que viu o filho passar entregou a tarefa a ele.
Renan mostrou sua boa educação ao beijar o dorso da minha mão, mas eu preferia o de antes, aquele que me obrigou a tomar uma atitude. Esse começou a se manifestar sutilmente depois da terceira música. Senti a mão me apertar as costas. Estávamos colados um no outro, isso dava medo. E excitação. E se os outros percebessem? Pior, se Letícia viesse tomar satisfação?
A mão foi quase até o fim do decote.
- Aqui não!
Ele estava bêbado, eu não. Não a esse ponto.
- Na sala de jogos? - sugeriu. A mão tamborilava ali onde não havia mais tecido, apenas a pele.
- Daqui a meia hora.
Não achei Gabriel nas mesas dentro da casa. Onde ele foi se meter? Pedi um uísque ao garçom para tomar coragem. Ele demorou, eu não sabia se subia as escadas ou procurava Gabriel para ir embora.
Não havia nada acontecendo no andar de cima, e a sala de jogos ficava bem afastada da festa. Mas ainda assim era perigoso. Olhei, vasculhei, ninguém à vista. Só então abri a porta e entrei. A sala estava vazia e silenciosa. Fiquei ali, não sei quanto tempo, brincando de jogar sinuca. Renan veio quando eu não esperava mais que viesse. Trouxe uma garrafa de champanhe e duas taças, não sabia como tinha conseguido subir com isso sem ser notado.
- Oi - ele disse.
- Oi - eu respondi.
Foi tudo que conversamos. Ele afouxou o nó da gravata, eu tirei a calcinha e a joguei sobre o feltro verde. Andei ao redor da mesa e fui colocando as bolas nos buracos. Depois sentei na borda de madeira, puxei o vestido até o joelho. Karen se importaria se de alguma forma eu sujasse o vestido? As mãos, minhas próprias mãos, arranhavam as coxas e iam puxando mais o vestido para cima, e faziam com que voltasse até onde estava, e linhas vermelhas marcavam a pele cada vez mais.
Ele me parou, segurou minhas mãos. Eu apertei as dele. Grandes, bem feitas. Vi a aliança em seu dedo anular, não quis lembrar o que significava a partir daquela noite. Fechei os olhos e lambi esse dedo comprometido, coloquei-o todo na boca e chupei. Lentamente, muito lentamente, envolvi a aliança em saliva e puxei com os dentes. Ele já não prestava mais atenção, eu sabia bem o que queria. Mostrei a língua com a aliança na ponta antes de nos beijarmos.
A aliança foi parar em algum lugar, acho que ele a atirou longe para poder sentir-se mais livre dentro de mim. Eu não usava véu e não tinha mais o buquê nem a calcinha que me afastava desses prazeres proibidos. Tornava-me de maneira oficial a amante que abria os grandes lábios à vontade e mostrava a carne pulsante de que era feita e o convidava a se banquetear nela. E não, não me arrependeria jamais disso.
sexta-feira, 18 de março de 2011
trinta e sete
O NOIVO
Se soubesse o que queria já teria me decidido. Caio tinha se estabelecido no Rio com Samuel e Eric, e Bernardo andava ocupado demais com o jornal para me chamar para sua cama. Eu? Estava numa fase excepcional para quem já não esperava muito da cidade grande. Minha banda tinha lugar fixo para tocar e a promessa de shows, quem sabe um CD no fim do ano. Tom tinha voltado a me chamar de Nininha e tudo era quase como antes.
Eu me masturbava antes de ensaiar, antes de dormir, jurava que não ia procurar sexo. Até a manhã em que Gabriel apareceu, desgrenhado e com olheiras grandes, mas ainda lindo. Dramático. Único. Não era um cara complicado e me aceitava sem restrições, eu nunca precisava falar muito ou jogar com ele. E o principal: não estava apaixonado de verdade por mim, o que simplificava bastante as coisas.
Aceitei o fim de semana na casa de amigos dele.
O dono da casa era Renan, que eu soube que ia casar dali a uma semana com uma ex-namorada de Gabri. Havia outros dois casais tão loucos e felizes quanto meu primo.
No fim da tarde finalmente a noiva chegou. Eles se beijaram. Eu via desejo, mas havia algo mais que ainda não conhecia direito. Fui para a rede observar a felicidade do casal a distância. Quis adivinhar por que Renan ia casar com ela. Gabriel veio ficar comigo.
- A Letícia quer ouvir você cantar.
- Ai, não, Gabri. Inventa alguma coisa, pelo amor de Deus. Não to a fim, não.
Ele não insistiu e com o balanço da rede caímos no sono, acordamos, nos bolinamos e cochilamos, Gabriel com a mão enfiada na minha calcinha. Quando abri os olhos lá estava Renan me olhando.
Enxuguei a baba no canto da boca e saí da rede o mais rápido que pude. Só voltei a vê-lo tarde da noite. Gabriel jogava sinuca com Letícia e outro casal, Renan estava na cozinha e eu não sabia para onde ir. Perdida e sem cigarros, um tédio só.
Bebi, não muito. A certa altura, quando os quatro falavam ao mesmo tempo e riam alto, saí sem fazer alarde para procurar um cigarro pela casa. Alguém tinha dito que Renan fumava de vez em quando, era a deixa para correr até a cozinha. Ainda ouvia o burburinho no andar de cima quando entrei. Pedi logo um cigarro, Renan se desculpou, tinha fumado o último à tarde, e ofereceu um vinho. Murchei e fui saindo, ele me disse para esperar. O noivo de Letícia, educado e afável, me empurrou na direção de um quartinho e fechou a porta com o pé. Impossível, eu estava surtando! E Renan não pediu, não disse nada, pegou nos meus peitos e me beijou de língua. Só isso. Não diria que não gostei, mas não quis, mordi com força seus lábios e saí correndo para o jardim. Ele me atraía, eu só não achava certo ali, tão perto dela, a futura esposa.
Sem conhecer direito o jardim, não sabia onde me esconder e Renan não precisou de muito esforço para me derrubar perto das mesas. A grama estava úmida. Tentei dizer que ali não era lugar enquanto ele puxava minha calcinha. Puxei de volta. Ele me olhou, estava zombando da minha iniciativa de lutar. Rolei para longe dele, o suficiente para tentar ficar de pé. Mas Renan me puxou pelo pé, me derrubou de novo. A essas alturas o vestido já tinha se enrolado todo na cintura, eu me sentia fraca e tonta. Não, eu não tinha vontade de gritar nada, eu o desejava. Talvez não ali, daquele jeito.
Ele me prensou contra o chão, a coxa entre minhas coxas, depois o joelho fazendo pressão, eu ainda de calcinha sentindo o pano roçar, o joelho. Gemi. O joelho aumentou a pressão, os olhos sobre mim. Gemi mais, ele quase sorriu e botou minha mão no pau dele. Se eu quisesse me salvar era a chance, bastava usar um pouco mais de força no lugar certo. Se eu quisesse.
Com uma mão afastei a calcinha, com a outra levei o pau duro até meu pelos, esfreguei antes de fazê-lo me penetrar, tão rápido que não tive tempo de pensar que fazia parte da despedida de solteiro. Era isso mesmo? Ele me tapou a boca quando gozei, mas aquilo não estava certo, eu não ia ficar quieta. Mordi seus dedos com raiva, só então ele me beijou, o beijo mais ardente, o beijo que ainda guardava algum tesão do sexo, o gosto dele. Meu cúmplice.
A versão oficial foi que bebi um pouco a mais e caí entre as mesas. Renan foi me ajudar e caiu também. Coitadinha de mim, estava com os joelhos ralados e a roupa amassada e úmida de sereno. Queria ver se ele conseguiria convencer Letícia de que os arranhões na coxa e os belos lábios inchados faziam parte do tombo no jardim.
Aquele casamento eu não queria perder por nada deste mundo.
O NOIVO
Se soubesse o que queria já teria me decidido. Caio tinha se estabelecido no Rio com Samuel e Eric, e Bernardo andava ocupado demais com o jornal para me chamar para sua cama. Eu? Estava numa fase excepcional para quem já não esperava muito da cidade grande. Minha banda tinha lugar fixo para tocar e a promessa de shows, quem sabe um CD no fim do ano. Tom tinha voltado a me chamar de Nininha e tudo era quase como antes.
Eu me masturbava antes de ensaiar, antes de dormir, jurava que não ia procurar sexo. Até a manhã em que Gabriel apareceu, desgrenhado e com olheiras grandes, mas ainda lindo. Dramático. Único. Não era um cara complicado e me aceitava sem restrições, eu nunca precisava falar muito ou jogar com ele. E o principal: não estava apaixonado de verdade por mim, o que simplificava bastante as coisas.
Aceitei o fim de semana na casa de amigos dele.
O dono da casa era Renan, que eu soube que ia casar dali a uma semana com uma ex-namorada de Gabri. Havia outros dois casais tão loucos e felizes quanto meu primo.
No fim da tarde finalmente a noiva chegou. Eles se beijaram. Eu via desejo, mas havia algo mais que ainda não conhecia direito. Fui para a rede observar a felicidade do casal a distância. Quis adivinhar por que Renan ia casar com ela. Gabriel veio ficar comigo.
- A Letícia quer ouvir você cantar.
- Ai, não, Gabri. Inventa alguma coisa, pelo amor de Deus. Não to a fim, não.
Ele não insistiu e com o balanço da rede caímos no sono, acordamos, nos bolinamos e cochilamos, Gabriel com a mão enfiada na minha calcinha. Quando abri os olhos lá estava Renan me olhando.
Enxuguei a baba no canto da boca e saí da rede o mais rápido que pude. Só voltei a vê-lo tarde da noite. Gabriel jogava sinuca com Letícia e outro casal, Renan estava na cozinha e eu não sabia para onde ir. Perdida e sem cigarros, um tédio só.
Bebi, não muito. A certa altura, quando os quatro falavam ao mesmo tempo e riam alto, saí sem fazer alarde para procurar um cigarro pela casa. Alguém tinha dito que Renan fumava de vez em quando, era a deixa para correr até a cozinha. Ainda ouvia o burburinho no andar de cima quando entrei. Pedi logo um cigarro, Renan se desculpou, tinha fumado o último à tarde, e ofereceu um vinho. Murchei e fui saindo, ele me disse para esperar. O noivo de Letícia, educado e afável, me empurrou na direção de um quartinho e fechou a porta com o pé. Impossível, eu estava surtando! E Renan não pediu, não disse nada, pegou nos meus peitos e me beijou de língua. Só isso. Não diria que não gostei, mas não quis, mordi com força seus lábios e saí correndo para o jardim. Ele me atraía, eu só não achava certo ali, tão perto dela, a futura esposa.
Sem conhecer direito o jardim, não sabia onde me esconder e Renan não precisou de muito esforço para me derrubar perto das mesas. A grama estava úmida. Tentei dizer que ali não era lugar enquanto ele puxava minha calcinha. Puxei de volta. Ele me olhou, estava zombando da minha iniciativa de lutar. Rolei para longe dele, o suficiente para tentar ficar de pé. Mas Renan me puxou pelo pé, me derrubou de novo. A essas alturas o vestido já tinha se enrolado todo na cintura, eu me sentia fraca e tonta. Não, eu não tinha vontade de gritar nada, eu o desejava. Talvez não ali, daquele jeito.
Ele me prensou contra o chão, a coxa entre minhas coxas, depois o joelho fazendo pressão, eu ainda de calcinha sentindo o pano roçar, o joelho. Gemi. O joelho aumentou a pressão, os olhos sobre mim. Gemi mais, ele quase sorriu e botou minha mão no pau dele. Se eu quisesse me salvar era a chance, bastava usar um pouco mais de força no lugar certo. Se eu quisesse.
Com uma mão afastei a calcinha, com a outra levei o pau duro até meu pelos, esfreguei antes de fazê-lo me penetrar, tão rápido que não tive tempo de pensar que fazia parte da despedida de solteiro. Era isso mesmo? Ele me tapou a boca quando gozei, mas aquilo não estava certo, eu não ia ficar quieta. Mordi seus dedos com raiva, só então ele me beijou, o beijo mais ardente, o beijo que ainda guardava algum tesão do sexo, o gosto dele. Meu cúmplice.
A versão oficial foi que bebi um pouco a mais e caí entre as mesas. Renan foi me ajudar e caiu também. Coitadinha de mim, estava com os joelhos ralados e a roupa amassada e úmida de sereno. Queria ver se ele conseguiria convencer Letícia de que os arranhões na coxa e os belos lábios inchados faziam parte do tombo no jardim.
Aquele casamento eu não queria perder por nada deste mundo.
quinta-feira, 10 de março de 2011
trinta e seis
SE É ISSO QUE VOCÊ QUER
SE É ISSO QUE VOCÊ QUER
Depois de eu ter me acostumado com a cama e o corpo dele quase todo dia, Bernardo começou a demonstrar estranha inquietação depois do sexo. A mão escorregava pelas costas e... Quê? Esse papo eu conhecia de outros tempos, me lembrei de Dieter. Para não ser a estraga-prazeres, dizia que ia ceder e vacilava ao baixar a calcinha, sem esconder minha covardia. E se doer? E se eu não gostar? E se gostar? E se me machucar?
Quando pensava que ele estava satisfeito e queria apenas fumar um cigarro, ele vinha alisar minha bunda com aquelas intenções. Aquelas. Se fosse uma carícia despretensiosa eu seria capaz de adormecer e sonhar que era vendada e seduzida no alto do edifício. Não nesse caso. Então não me restava alternativa senão a de permanecer atenta aos mínimos movimentos, esperando que ele cansasse e fosse dormir.
Um dia tentei mostrar que estava mais maleável.
- Mas vai com calma, tá?
- Você sabe que eu nunca te faria mal.
Era o que todos diziam.
- Eu tô falando sério.
- Eu também.
É verdade que não me sentia totalmente relaxada, não importando o que ele dissesse para me acalmar, mas imaginei que poderia ficar. Pedi uma dose de uísque. Sentamos na beira da cama e assim ficamos por algum tempo, imóveis.
- Vou confiar em você – murmurei.
A chuva continuava batendo forte no vidro, tinha jeito de tempestade de verão. Bernardo tirou o cabelo dos ombros e me beijou as costas, foi descendo. Depois era a língua dele que deslizava por toda a pele numa languidez que me levou à rendição. Sem sentir estava deitada de bruços olhando a chuva pela janela e começava a sentir alguma coisa. Ele soprava o rastro de saliva, lambia mais um pouco, e soprava, e refazia o caminho.
Ele parou, estava chegando. Eu não podia ver nada – gostaria de ver! Senti que as mãos se colocaram entre as coxas e buscaram o espaço para poder avançar. Sem saber se era instinto, abri um pouco as pernas e empinei a bunda. Um dedo veio, revelando o que havia entre as dobras de pele. Eu não pensava mais em dor, eu via que era muito diferente do que havia imaginado. O dedo me cercou, rodeou, acariciou e foi se afundando em mim. Sempre um pouco mais, até desaparecer. Era uma sensação nova que eu sabia onde ia acabar. Por que você não disse que era gostoso?
O dedo saiu devagar sem que ele dissesse nada. Eu suspirei e só, não tinha onde me agarrar. Bernardo me segurou pela cintura, percebi que agora não demoraria a se juntar a mim. E teria vindo se o celular dele não tivesse tocado e alguém não tivesse falado em emergência e hospital.
Não, não seria dessa vez, não importando o quanto eu estivesse excitada e disposta a correr riscos nas mãos dele. Ele se vestiu às pressas e saiu sem explicar muita coisa. Eu também saí. Já não chovia, a rua estava silenciosa. O caminho para casa seria longo.
Quando pensava que ele estava satisfeito e queria apenas fumar um cigarro, ele vinha alisar minha bunda com aquelas intenções. Aquelas. Se fosse uma carícia despretensiosa eu seria capaz de adormecer e sonhar que era vendada e seduzida no alto do edifício. Não nesse caso. Então não me restava alternativa senão a de permanecer atenta aos mínimos movimentos, esperando que ele cansasse e fosse dormir.
Um dia tentei mostrar que estava mais maleável.
- Mas vai com calma, tá?
- Você sabe que eu nunca te faria mal.
Era o que todos diziam.
- Eu tô falando sério.
- Eu também.
É verdade que não me sentia totalmente relaxada, não importando o que ele dissesse para me acalmar, mas imaginei que poderia ficar. Pedi uma dose de uísque. Sentamos na beira da cama e assim ficamos por algum tempo, imóveis.
- Vou confiar em você – murmurei.
A chuva continuava batendo forte no vidro, tinha jeito de tempestade de verão. Bernardo tirou o cabelo dos ombros e me beijou as costas, foi descendo. Depois era a língua dele que deslizava por toda a pele numa languidez que me levou à rendição. Sem sentir estava deitada de bruços olhando a chuva pela janela e começava a sentir alguma coisa. Ele soprava o rastro de saliva, lambia mais um pouco, e soprava, e refazia o caminho.
Ele parou, estava chegando. Eu não podia ver nada – gostaria de ver! Senti que as mãos se colocaram entre as coxas e buscaram o espaço para poder avançar. Sem saber se era instinto, abri um pouco as pernas e empinei a bunda. Um dedo veio, revelando o que havia entre as dobras de pele. Eu não pensava mais em dor, eu via que era muito diferente do que havia imaginado. O dedo me cercou, rodeou, acariciou e foi se afundando em mim. Sempre um pouco mais, até desaparecer. Era uma sensação nova que eu sabia onde ia acabar. Por que você não disse que era gostoso?
O dedo saiu devagar sem que ele dissesse nada. Eu suspirei e só, não tinha onde me agarrar. Bernardo me segurou pela cintura, percebi que agora não demoraria a se juntar a mim. E teria vindo se o celular dele não tivesse tocado e alguém não tivesse falado em emergência e hospital.
Não, não seria dessa vez, não importando o quanto eu estivesse excitada e disposta a correr riscos nas mãos dele. Ele se vestiu às pressas e saiu sem explicar muita coisa. Eu também saí. Já não chovia, a rua estava silenciosa. O caminho para casa seria longo.
quinta-feira, 3 de março de 2011
trinta e cinco
EM CASA
Pulei de vez para a cama de Bernardo. Era verão, um calor quase impossível de suportar, Caio tinha ido morar no Rio e eu aproveitava a mordomia do ar-condicionado, não ia mais embora. Uma noite levei o violão e a escova de dentes, durante a semana algumas poucas coisas, ele foi deixando. Esqueci – de propósito – uma calcinha pendurada no box para ver o que acontecia. Nada. Ou ele sabia apagar muito bem meus vestígios pela casa ou não tinha realmente mais nada com aquela mulher.
Dez dias se passaram ao som do nosso gozo, a vida fora do apartamento seguia seu rumo e eu não estava minimamente interessada em participar dela. Até que Régis veio encerrar minha temporada de ócio.
No começo da tarde estávamos saindo da cidade para tocar em um festival obscuro em Santos e não me dei conta de que havia deixado o celular na mesa da cozinha e nenhum aviso para Bernardo. Entrei na van e dei de cara com Tom, Alice e dois sujeitos desconhecidos. Passado o susto, olhei para a frente e me senti incrivelmente feliz por estar indo para não sei onde tocar com Tom e Régis de novo.
Foi apenas um fim de semana.
Bernardo demorou a abrir a porta, achei que não estivesse em casa. O cigarro no canto da boca, uma toalha enrolada na cintura. Não vai me convidar pra entrar? Tirei o cigarro de sua boca e dei uma tragada. Eu viva tentando, mas não tinha força de vontade suficiente para largar de vez e Bernardo cheirava a nicotina, o que aumentava ainda mais o desejo. Talvez Tom tivesse razão em querer que eu parasse, mas ainda não era o momento.
Entrei, ele me olhou de lado. O que é que é? Aquele olhar gelado como se eu tivesse feito algo de muito errado. Eu mesma fechei a porta e o segui. Dois dias sem mim te deixaram contrariado desse jeito? Pobrezinho... Depois eu sou a adolescente aqui.
Ele sentou na poltrona e continuou em silêncio, fumando. Fiquei aos seus pés aspirando a fumaça com prazer. Não ia dar explicações para que ele ficasse bonzinho comigo como antes. O caminho da reconciliação era outro, bem mais simples. Coloquei a mão na toalha, ele me segurou. Não vai ser fácil. Muito melhor assim. Insisti e puxei a toalha sem que ele fizesse qualquer movimento para ajudar. Ele me olhou ao tragar, muito rapidamente. Bernardo queria me maltratar com aquela pose indiferente – as pernas abertas, os olhos frios, agora fixos na parede às minhas costas.
Esfreguei uma mão na outra e fui direta. Ele tentou me desprezar, por alguns minutos tenho que admitir que conseguiu, mas a flacidez em minhas mãos foi enrijecendo e senti que ele não seria capaz de controlar sua natureza. De pau duro ele não tinha como me negar nada. Seus músculos iriam se contrair e ele gozaria na minha boca se eu desejasse. Parei para olhá-lo. Agora ele era meu de novo.
E agora?
Tremi por dentro quando ele se levantou. Eu ainda vestida, ele completamente excitado e ainda com raiva de mim. Não deu tempo de dizer nada, eu nem queria, nos beijamos com uma fúria que eu já conhecia – nele e em mim quando estávamos juntos dessa forma. Esse homem rude me sugava os lábios e me puxava pelos quadris. Ele estava assim porque não avisei da viagem? Esfreguei as coxas, continuava bem lubrificada, então... Sussurrei seu nome com docilidade, ele puxou meus cabelos para trás e me olhou. No fundo ainda havia algum resquício de raiva nos olhos dele, não tinha certeza. Bati com a cabeça na prateleira, ele não parou. Um CD despencou, depois outros vieram em cascata. Que estrago! Senti uma dorzinha fina, não na cabeça, mas nos pés. Não olhei, sabia que eram as caixas espatifadas me espetando a pele.
Enquanto Bernardo achava que ia me fazer pagar pelo sumiço, eu festejava sua excitação. Ele segurou meu rosto entre as mãos com força. Vai me estrangular! Talvez ele também quisesse isso, mas me beijou e as mãos afrouxaram.
- Onde você estava?
Eu contra a estante, ele pronto para investir.
- Não interessa!
Eu gostava de brincar.
- Não vai dizer?
Me colocou de costas, colada à parede.
- Não.
E se ele viesse, se ele tentasse me pegar por trás? Recuei, ele me segurou. Não acreditei que ele teria coragem de fazer aquilo para se vingar. Senti que estava tão perto. Eu não tinha saída, quase pedi para ele acabar logo com a expectativa.
- O que você veio fazer aqui? Brincar comigo e ir embora?
Consegui me virar:
- Isso.
Toquei, peguei o pau de Bernardo. Ia explodir de tão duro na minha mão. O azul dos olhos dele estava mais escuro, a veia no pescoço pulsava, o pau pulsava entre meus dedos.
Ele ia falar, mas o impedi tapando seus lábios com os meus. Não havia mais nada que valesse a pena ser dito. Fomos, tropeçando, parando no corredor e nos tocando como se fosse a primeira vez. Como se ele já não me conhecesse há séculos, e eu a ele. O desejo cada vez mais feroz me guiava. Espasmos, eu latejava inteira sobre ele e não queria que terminasse. Mas ele me lambuzou as entranhas e me fez vibrar por alguns segundos e abandonou meu corpo inerte, suado, dolorido, acabado, satisfeito. Ali, na cama dele.
Dessa vez não precisei de um cigarro antes de dormir.

EM CASA
Pulei de vez para a cama de Bernardo. Era verão, um calor quase impossível de suportar, Caio tinha ido morar no Rio e eu aproveitava a mordomia do ar-condicionado, não ia mais embora. Uma noite levei o violão e a escova de dentes, durante a semana algumas poucas coisas, ele foi deixando. Esqueci – de propósito – uma calcinha pendurada no box para ver o que acontecia. Nada. Ou ele sabia apagar muito bem meus vestígios pela casa ou não tinha realmente mais nada com aquela mulher.
Dez dias se passaram ao som do nosso gozo, a vida fora do apartamento seguia seu rumo e eu não estava minimamente interessada em participar dela. Até que Régis veio encerrar minha temporada de ócio.
No começo da tarde estávamos saindo da cidade para tocar em um festival obscuro em Santos e não me dei conta de que havia deixado o celular na mesa da cozinha e nenhum aviso para Bernardo. Entrei na van e dei de cara com Tom, Alice e dois sujeitos desconhecidos. Passado o susto, olhei para a frente e me senti incrivelmente feliz por estar indo para não sei onde tocar com Tom e Régis de novo.
Foi apenas um fim de semana.
Bernardo demorou a abrir a porta, achei que não estivesse em casa. O cigarro no canto da boca, uma toalha enrolada na cintura. Não vai me convidar pra entrar? Tirei o cigarro de sua boca e dei uma tragada. Eu viva tentando, mas não tinha força de vontade suficiente para largar de vez e Bernardo cheirava a nicotina, o que aumentava ainda mais o desejo. Talvez Tom tivesse razão em querer que eu parasse, mas ainda não era o momento.
Entrei, ele me olhou de lado. O que é que é? Aquele olhar gelado como se eu tivesse feito algo de muito errado. Eu mesma fechei a porta e o segui. Dois dias sem mim te deixaram contrariado desse jeito? Pobrezinho... Depois eu sou a adolescente aqui.
Ele sentou na poltrona e continuou em silêncio, fumando. Fiquei aos seus pés aspirando a fumaça com prazer. Não ia dar explicações para que ele ficasse bonzinho comigo como antes. O caminho da reconciliação era outro, bem mais simples. Coloquei a mão na toalha, ele me segurou. Não vai ser fácil. Muito melhor assim. Insisti e puxei a toalha sem que ele fizesse qualquer movimento para ajudar. Ele me olhou ao tragar, muito rapidamente. Bernardo queria me maltratar com aquela pose indiferente – as pernas abertas, os olhos frios, agora fixos na parede às minhas costas.
Esfreguei uma mão na outra e fui direta. Ele tentou me desprezar, por alguns minutos tenho que admitir que conseguiu, mas a flacidez em minhas mãos foi enrijecendo e senti que ele não seria capaz de controlar sua natureza. De pau duro ele não tinha como me negar nada. Seus músculos iriam se contrair e ele gozaria na minha boca se eu desejasse. Parei para olhá-lo. Agora ele era meu de novo.
E agora?
Tremi por dentro quando ele se levantou. Eu ainda vestida, ele completamente excitado e ainda com raiva de mim. Não deu tempo de dizer nada, eu nem queria, nos beijamos com uma fúria que eu já conhecia – nele e em mim quando estávamos juntos dessa forma. Esse homem rude me sugava os lábios e me puxava pelos quadris. Ele estava assim porque não avisei da viagem? Esfreguei as coxas, continuava bem lubrificada, então... Sussurrei seu nome com docilidade, ele puxou meus cabelos para trás e me olhou. No fundo ainda havia algum resquício de raiva nos olhos dele, não tinha certeza. Bati com a cabeça na prateleira, ele não parou. Um CD despencou, depois outros vieram em cascata. Que estrago! Senti uma dorzinha fina, não na cabeça, mas nos pés. Não olhei, sabia que eram as caixas espatifadas me espetando a pele.
Enquanto Bernardo achava que ia me fazer pagar pelo sumiço, eu festejava sua excitação. Ele segurou meu rosto entre as mãos com força. Vai me estrangular! Talvez ele também quisesse isso, mas me beijou e as mãos afrouxaram.
- Onde você estava?
Eu contra a estante, ele pronto para investir.
- Não interessa!
Eu gostava de brincar.
- Não vai dizer?
Me colocou de costas, colada à parede.
- Não.
E se ele viesse, se ele tentasse me pegar por trás? Recuei, ele me segurou. Não acreditei que ele teria coragem de fazer aquilo para se vingar. Senti que estava tão perto. Eu não tinha saída, quase pedi para ele acabar logo com a expectativa.
- O que você veio fazer aqui? Brincar comigo e ir embora?
Consegui me virar:
- Isso.
Toquei, peguei o pau de Bernardo. Ia explodir de tão duro na minha mão. O azul dos olhos dele estava mais escuro, a veia no pescoço pulsava, o pau pulsava entre meus dedos.
Ele ia falar, mas o impedi tapando seus lábios com os meus. Não havia mais nada que valesse a pena ser dito. Fomos, tropeçando, parando no corredor e nos tocando como se fosse a primeira vez. Como se ele já não me conhecesse há séculos, e eu a ele. O desejo cada vez mais feroz me guiava. Espasmos, eu latejava inteira sobre ele e não queria que terminasse. Mas ele me lambuzou as entranhas e me fez vibrar por alguns segundos e abandonou meu corpo inerte, suado, dolorido, acabado, satisfeito. Ali, na cama dele.
Dessa vez não precisei de um cigarro antes de dormir.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
trinta e quatro
ALGUM TEMPO DEPOIS
O vestido de cetim pérola foi por insistência de Bernardo. Tinha alças finas que ficavam escorregando do ombro, mas isso não era intencional da minha parte. Quem se importava, afinal? Não as pessoas que circulavam em volta do piano. Algumas paravam para me ouvir, lançavam olhares, os quais eu devolvia na mesma medida. Tudo não passava de uma brincadeira de seduzir da pianista que eu queria representar.
Em algum lugar, misturado aos convidados, devia estar Bernardo.
Sem vê-lo, sabia que observava meus dedos sobre o piano, os movimentos sutis que não necessitavam de comando prévio. Atentava aos poucos fios de cabelo que se desprendiam do coque e pousavam nos ombros. Aos olhos que ora percorriam as teclas, ora procuravam por ele entre tantos olhares e promessas de uma noite inesquecível.
Em algum lugar ele me esperava, para depois de tudo tomar de volta o vestido... e meu corpo.
Toquei até o fim do jantar, mas gostaria de ter ficado mais, imaginando que Bernardo me desejava de longe e não podia me possuir sobre o piano. Se escondia de mim? Os que estavam mais próximos aplaudiram quando agradeci e encerrei a apresentação. Bernardo surgiu ao fundo com dois homens. Dessa vez eu não ia atrás. Acenei apenas, ele veio.
- Então você gostou do vestido.
- E você?
Bernardo passou o dedo e fez a alça descer pelo ombro, deixando um pouco mais de pele à mostra. A alça caída puxou junto o tecido mole e quase descobriu um dos seios.
- Eu gostei muito.
Ele colocou a alça de volta e me entregou um copo de uísque. Bebi muito pouco, comi menos ainda. E esperei o salão ir se esvaziando, até sobrarem apenas ele e o piano sob a penumbra. Nos aproximamos lentamente, pois sabíamos pelo que tínhamos aguardado a noite toda. Permaneci lânguida ao piano. Bernardo tocou minha mão.
- Vamos?
- Agora não.
Comecei a tocar a primeira música que me veio à cabeça, um blues que eu tinha guardado para ele. Mas Bernardo não quis ouvi-lo naquela hora, preferiu descer mais uma vez a alça do vestido. Ela deslizou. Tentei continuar tocando, ele segurou um pouco a outra antes de puxá-la para baixo.
- Continua tocando.
Ofegante, me esforcei. Meu peito desnudo se movimentava sem parar, assim como as mãos de Bernardo. Eu não podia vê-lo, eu não aguentava mais, estava sucumbindo.
- Para com essa tortura.
Levantei, o vestido percorreu minha pele em carícias rápidas, procurando o chão.Senti que mãos enrolavam a calcinha até a altura dos quadris, tentei me segurar, ele não demorou a separar minhas pernas com suas próprias pernas. Os dedos foram firmes e conscientes do que estavam provocando. Me empurrou contra o piano. Um meio sorriso, uma advertência caso eu quisesse parar por ali. Estremeci. Ele entendeu, me penetrou. Levantei um pouco a perna. Não paramos de martelar as teclas até ele se esvaziar em mim, até eu sentir que meu gozo também escorria de mim e se misturava ao dele, e o líquido formado de nós dois me molhava as coxas.
Só assim consegui terminar o blues.

ALGUM TEMPO DEPOIS
O vestido de cetim pérola foi por insistência de Bernardo. Tinha alças finas que ficavam escorregando do ombro, mas isso não era intencional da minha parte. Quem se importava, afinal? Não as pessoas que circulavam em volta do piano. Algumas paravam para me ouvir, lançavam olhares, os quais eu devolvia na mesma medida. Tudo não passava de uma brincadeira de seduzir da pianista que eu queria representar.
Em algum lugar, misturado aos convidados, devia estar Bernardo.
Sem vê-lo, sabia que observava meus dedos sobre o piano, os movimentos sutis que não necessitavam de comando prévio. Atentava aos poucos fios de cabelo que se desprendiam do coque e pousavam nos ombros. Aos olhos que ora percorriam as teclas, ora procuravam por ele entre tantos olhares e promessas de uma noite inesquecível.
Em algum lugar ele me esperava, para depois de tudo tomar de volta o vestido... e meu corpo.
Toquei até o fim do jantar, mas gostaria de ter ficado mais, imaginando que Bernardo me desejava de longe e não podia me possuir sobre o piano. Se escondia de mim? Os que estavam mais próximos aplaudiram quando agradeci e encerrei a apresentação. Bernardo surgiu ao fundo com dois homens. Dessa vez eu não ia atrás. Acenei apenas, ele veio.
- Então você gostou do vestido.
- E você?
Bernardo passou o dedo e fez a alça descer pelo ombro, deixando um pouco mais de pele à mostra. A alça caída puxou junto o tecido mole e quase descobriu um dos seios.
- Eu gostei muito.
Ele colocou a alça de volta e me entregou um copo de uísque. Bebi muito pouco, comi menos ainda. E esperei o salão ir se esvaziando, até sobrarem apenas ele e o piano sob a penumbra. Nos aproximamos lentamente, pois sabíamos pelo que tínhamos aguardado a noite toda. Permaneci lânguida ao piano. Bernardo tocou minha mão.
- Vamos?
- Agora não.
Comecei a tocar a primeira música que me veio à cabeça, um blues que eu tinha guardado para ele. Mas Bernardo não quis ouvi-lo naquela hora, preferiu descer mais uma vez a alça do vestido. Ela deslizou. Tentei continuar tocando, ele segurou um pouco a outra antes de puxá-la para baixo.
- Continua tocando.
Ofegante, me esforcei. Meu peito desnudo se movimentava sem parar, assim como as mãos de Bernardo. Eu não podia vê-lo, eu não aguentava mais, estava sucumbindo.
- Para com essa tortura.
Levantei, o vestido percorreu minha pele em carícias rápidas, procurando o chão.Senti que mãos enrolavam a calcinha até a altura dos quadris, tentei me segurar, ele não demorou a separar minhas pernas com suas próprias pernas. Os dedos foram firmes e conscientes do que estavam provocando. Me empurrou contra o piano. Um meio sorriso, uma advertência caso eu quisesse parar por ali. Estremeci. Ele entendeu, me penetrou. Levantei um pouco a perna. Não paramos de martelar as teclas até ele se esvaziar em mim, até eu sentir que meu gozo também escorria de mim e se misturava ao dele, e o líquido formado de nós dois me molhava as coxas.
Só assim consegui terminar o blues.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
trinta e três
ENFIM
ENFIM
21:04
Caio estava fora com a banda. Havia noites em que pensava nele e escrevia palavras desconexas ao redor do umbigo antes de me masturbar e adormecer. Trazê-lo de volta dessa forma me confortava, mas ele demorava, não ligava, eu quase não sabia mais dele, de quem afinal nunca estive grávida.
Nessa hora em que eu não precisava de mais barulho Bernardo ligou, tinha duas horas livres antes de viajar. Me desculpa, Caio!
Nessa hora em que eu não precisava de mais barulho Bernardo ligou, tinha duas horas livres antes de viajar. Me desculpa, Caio!
21:12
Sem tempo para um bom banho, apelei para o chuveirinho. Será que Bernardo é pontual? Oficialmente é nosso primeiro encontro... Se eu quisesse investir, poderia ser um começo. Me lavei como foi posível, uma perna apoiada na parede respingando todo o azulejo fora do box. Do banheiro de Karen. Se ela me pega... Saí atrás de uma calcinha, já que eu não tinha mais nenhuma limpa. Aquelas de algodão com elástico frouxo não contavam. De calcinha velha é que eu não vou aparecer na frente dele. Vasculhei a gaveta toda antes de pegar um fio-dental vermelho – emprestado – e completei com duas gotas de perfume no umbigo.
O interfone logo começou a tocar, eu nem sonhava que eram os vizinhos reclamando, mas não podíamos interromper o que estava por vir. O interfone tocou, e tocou.

21:25
Não ia dar tempo de aparar os pelos e eu nem gostava de me depilar. Me olhei no espelho, aprovei. Seja o que Deus quiser! Perdi a conta de quantas vezes espiei pelo olho mágico e abri uma fresta da porta para ver se Bernardo aparecia. E o medo que a vizinha soubesse? A mulher tinha todos os motivos para não gostar de mim. Vaca!21:42
O fio-dental era uma peça linda e de extremo bom gosto, devia ter custado caro, mas devia ter sido feito para ser vestido imediatamente antes do ato e retirado o mais rápido possível. Coisa mais incômoda! Anda logo, Bernardo!21:50
Eu ainda devia torcer para Karen não chegar com Fred a tiracolo. Aí sim seria muita falta de sorte. Ela não havia deixado bilhete para dizer se dormiria fora, então era bom contar com uma eventual surpresa. Tudo bem, eu adorava viver perigosamente, e mais que uma bronca não ia ganhar.22:07
Ouvi barulho no corredor. Dona Zélia e o marido conversando com a vizinha. Essa não!22:09
Se ele demorar mais cinco minutos eu vou pra cama!!!22:14
Se ele demorar um minuto eu vou... Não vou deixar entrar. Eu tô dizendo que não vou de verdade.22:21
O fio-dental voltou para a gaveta, de onde nunca deveria ter saído. Porcaria de pano enfiado na bunda! Vesti uma camiseta de Chico. Pensei que se Bernardo aparecesse agora poderia bater na porta até perder o voo.22:25
Mas se tivesse uma boa desculpa...22:33
Ele ligou. Uma reunião de última hora, já estava vindo. Cacete! Olha a hora!!!23:16
Três batidas de leve na porta para chamar menos atenção. Bobo ele não era, até porque a vizinha estava muito perto, um perigo. Abri a porta de camiseta, sem as más intenções de minutos atrás. Nada por baixo, nada proposital. Parti para o beijo, não podíamos perder tempo. Olha a hora!23:17 – 23:34 (provável)
Meu triângulo maldesenhado de pelos foi descoberto e acariciado, as pernas rapidamente escancaradas, a camiseta de Chico jogada no chão. Olha a hora! O quarto de Karen talvez não fosse uma boa ideia, não mais. Ia ser ali mesmo na sala, sem clima, a luz acesa, as revistas largadas no sofá. Olha a hora... O resto foi urgência, a rigidez dele me perfurando, batendo e ecoando até eu não poder suportar. Mas eu podia, por aquele momento eu suportaria que ele viesse sem gentileza para me tirar as convicções que Caio havia plantado. Ergui as pernas, apertei-o, porque ainda o queria, não havia me livrado do que ele representava desde o início. Bernardo respondeu se entranhando em mim para nunca mais sair.O interfone logo começou a tocar, eu nem sonhava que eram os vizinhos reclamando, mas não podíamos interromper o que estava por vir. O interfone tocou, e tocou.
23:41
Karen cruzou com Bernardo lá embaixo, ela sorriu de leve, ele fez um gesto com a cabeça. Karen nem desconfiava de onde ele tinha acabado de sair – de dentro de mim!
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
trinta e dois
A FALTA QUE ELE ME FAZ
Quando escreveu quilômetros de poesia em meu corpo entendi que de alguma forma Caio me amava. Depois foram as mãos que partiram em busca das fendas mais obscuras, mais distantes, foi a boca que me disse obscenidades misturadas com palavras de amor e me convenceu de que devia deixá-lo tomar conta do meu prazer sem restrições. Ele veio, eu fui, nos encontramos no caminho. Rolamos um sobre o outro, lutamos sem querer lutar, cantamos, rimos, nos enrolamos e nos fundimos, tanto que os dias se passaram e achei que Caio havia me preenchido de uma maneira diferente da que eu esperava. Não, não... não pode ser. Foi num impulso que corri para verificar a cartela de pílulas. Tinha esquecido de tomar algumas no mês. Pode ser verdade! Quando me senti enjoada ao olhar batatinhas na travessa sem conseguir comer nenhuma, considerei mais seriamente a hipótese de Caio ter me feito uma surpresa antes de viajar.
Nessa hora só não me passou pela cabeça que tinha dezenove anos e queria tudo da vida, menos me prender.
Se existia a possibilidade de estar grávida, devia parar com aquela vida desregrada. Era lógico, eu precisava largar o cigarro em primeiro lugar. Joguei o último maço na privada e logo me arrependi. Tentei não pensar, mas ficava faltando algo, eu sentia que o tempo se arrastava. Olhei para as paredes, para o cinzeiro. Um banho seria bom para acalmar a tensão. Mas eu já tomei um! É muita precipitação ligar pro Caio? Roí as unhas até quase me machucar para não pegar o telefone e dizer o que não devia. Tirei a camiseta e deslizei a mão sobre a barriga. E se for um bebê aqui? Até pensei que poderia não ser nada, mas desisti e andei nua pela casa.
Eu teria acendido um cigarro, se tivesse um à mão. Peguei um lenço de Karen, amarrei no pescoço, calcei as sandálias de tiras e me espalhei na cama dela. Fiz pose como se estivesse com um cigarro na mão. Quem me dera! Dieter teria vontade de me desenhar? De quatro, fingi que era penetrada movimentando os quadris no ritmo de um orgasmo. João, sim, gostaria de ver essa encenação e de participar dela. E Mateus amaria estar por trás das cortinas olhando tudo? Bernardo me levaria dali se eu demonstrasse desejo? Começava a ficar entediada de verdade, queria fumar.
Fui mexer nas gavetas de Karen para ver se me distraia. Sabia que ela guardava um vibrador dentro da meia soquete azul-bebê na terceira gaveta e não demorei a chegar nele. Era de vidro transparente, pontiagudo como uma lança, uma peça que me lembrava os bibelôs de cristal que tia Rute guardava na estante.
Sentei na beira da cama, olhando-o por algum tempo bem de perto. Eu tinha um pau de vidro na mão. Pau anônimo, de ninguém, sem sangue correndo nem veia. Girei a peça entre os dedos. Era frio, mas tão bonito e brilhante que coloquei na boca. Lambi. Você quer aqui ou lá? Não vai testar?
Senti urgência de aproximar a ponta de meu sexo. Encostei nos pelos até sentir uma descarga em toda a região, que sensação inesquecível o impacto do vidro gelado no calor da pele. Empurrei mais um pouco, e mais, até a metade estar dentro de mim. Era um estremecimento que se espalhava pela virilha e me fazia voraz e impaciente. Eu estava largada na cama com o pau de vidro me penetrando e um dia poderia contar isso aos meus netos. Não era o máximo? Fechei um pouco as pernas, o suficiente para ele continuar deslizando. Ele sumiu entre os pelos, engolido, abduzido, seduzido por minhas entranhas. Só escorregou e saiu um pouco de mim quando gozei. Mas nunca, nunca mais me separei totalmente dele.

A FALTA QUE ELE ME FAZ
Quando escreveu quilômetros de poesia em meu corpo entendi que de alguma forma Caio me amava. Depois foram as mãos que partiram em busca das fendas mais obscuras, mais distantes, foi a boca que me disse obscenidades misturadas com palavras de amor e me convenceu de que devia deixá-lo tomar conta do meu prazer sem restrições. Ele veio, eu fui, nos encontramos no caminho. Rolamos um sobre o outro, lutamos sem querer lutar, cantamos, rimos, nos enrolamos e nos fundimos, tanto que os dias se passaram e achei que Caio havia me preenchido de uma maneira diferente da que eu esperava. Não, não... não pode ser. Foi num impulso que corri para verificar a cartela de pílulas. Tinha esquecido de tomar algumas no mês. Pode ser verdade! Quando me senti enjoada ao olhar batatinhas na travessa sem conseguir comer nenhuma, considerei mais seriamente a hipótese de Caio ter me feito uma surpresa antes de viajar.Nessa hora só não me passou pela cabeça que tinha dezenove anos e queria tudo da vida, menos me prender.
Se existia a possibilidade de estar grávida, devia parar com aquela vida desregrada. Era lógico, eu precisava largar o cigarro em primeiro lugar. Joguei o último maço na privada e logo me arrependi. Tentei não pensar, mas ficava faltando algo, eu sentia que o tempo se arrastava. Olhei para as paredes, para o cinzeiro. Um banho seria bom para acalmar a tensão. Mas eu já tomei um! É muita precipitação ligar pro Caio? Roí as unhas até quase me machucar para não pegar o telefone e dizer o que não devia. Tirei a camiseta e deslizei a mão sobre a barriga. E se for um bebê aqui? Até pensei que poderia não ser nada, mas desisti e andei nua pela casa.
Eu teria acendido um cigarro, se tivesse um à mão. Peguei um lenço de Karen, amarrei no pescoço, calcei as sandálias de tiras e me espalhei na cama dela. Fiz pose como se estivesse com um cigarro na mão. Quem me dera! Dieter teria vontade de me desenhar? De quatro, fingi que era penetrada movimentando os quadris no ritmo de um orgasmo. João, sim, gostaria de ver essa encenação e de participar dela. E Mateus amaria estar por trás das cortinas olhando tudo? Bernardo me levaria dali se eu demonstrasse desejo? Começava a ficar entediada de verdade, queria fumar.
Fui mexer nas gavetas de Karen para ver se me distraia. Sabia que ela guardava um vibrador dentro da meia soquete azul-bebê na terceira gaveta e não demorei a chegar nele. Era de vidro transparente, pontiagudo como uma lança, uma peça que me lembrava os bibelôs de cristal que tia Rute guardava na estante.
Sentei na beira da cama, olhando-o por algum tempo bem de perto. Eu tinha um pau de vidro na mão. Pau anônimo, de ninguém, sem sangue correndo nem veia. Girei a peça entre os dedos. Era frio, mas tão bonito e brilhante que coloquei na boca. Lambi. Você quer aqui ou lá? Não vai testar?
Senti urgência de aproximar a ponta de meu sexo. Encostei nos pelos até sentir uma descarga em toda a região, que sensação inesquecível o impacto do vidro gelado no calor da pele. Empurrei mais um pouco, e mais, até a metade estar dentro de mim. Era um estremecimento que se espalhava pela virilha e me fazia voraz e impaciente. Eu estava largada na cama com o pau de vidro me penetrando e um dia poderia contar isso aos meus netos. Não era o máximo? Fechei um pouco as pernas, o suficiente para ele continuar deslizando. Ele sumiu entre os pelos, engolido, abduzido, seduzido por minhas entranhas. Só escorregou e saiu um pouco de mim quando gozei. Mas nunca, nunca mais me separei totalmente dele.

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