segunda-feira, 11 de outubro de 2010

sábado, 9 de outubro de 2010

"tipo"... desnecessário

Você já cruzou com "tipo" por aí? "Tipo" é um sujeito grudento que, sem ser chamado, está sempre se metendo nas rodinhas de amigos. Quando você menos espera lá vem o "tipo" meio disfarçado entre um substantivo ou um adjetivo, sem função, sem-vergonha total. Ele pode se aproximar sem que você perceba e tomar conta da sua língua. Não tema. Desdenhe, afaste-se e siga em frente, pois "tipo" não irá desfalcar seu vocabulário ou deixar saudades.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

quinze

simplesmente

Eu teria demorado mais a aparecer, mas Tom me chamou. Era uma música nova que queria me mostrar. Era? Esperei ele abrir a porta.
- Nininha! - me beijou na ponta do nariz antes de me abraçar.
Estávamos sozinhos no apartamento e eu não sabia se era algum tipo de armação. Não toquei no assunto, sentei ao lado dele.
- Cê tá bem?
Perguntas como essa me deixavam sem rumo. Tudo bem, eu só não sei onde colocar as mãos ou como dizer que aquela noite não dormi pensando no que fizemos. Será que você me entende?
- Tá tudo muito estranho.
- Por quê? Cê acha que a gente não devia ter feito?
- Não! Não é isso, é que agora é diferente.
- Eu sei.
- Me mostra a música, vai. É pra isso que eu vim aqui.
Ouvi em silêncio, encolhida no sofá. Tinha certeza de que era para mim. Por que Tom fazia isso?
- É linda.
- É tua.
- Sério, Tom?
- Quero que cê cante ela e lembre de mim - largou o violão.
- Vou lembrar de você sempre, e não preciso de música pra isso.
- Ô, Nininha...
- Deita aqui.
Tom deitou em meu colo.
- O que você quer fazer?
- Ficar com você.
- Seu bobo, pensei em fazer um miojo pra gente.
- Vem tomar banho comigo.
- Eu?
- Eu esfrego as tuas costas e cê esfrega as minhas.
Com Tom eu não conseguia dizer não, porque ele sabia como me desarmar.
- Então deixa eu tirar tua camiseta, e você tira a minha.
- Cê manda, Nininha.
Tiramos a roupa ali mesmo, nos olhamos. Não procuramos a nudez, mas respostas nos olhos um do outro.
- Me beija, Tom. Me beija de verdade.
Tom me beijou os olhos, um de cada vez. Me beijou as bochechas, o nariz, a testa, o canto dos lábios com uma suavidade comovente.


- Nininha...
- Não diz nada, Tom. Agora não.
Tom calou em meu corpo, em carícias que seus lábios ofereceram languidamente à minha pele, ao meu sexo. Ali, os beijos foram mais intensos, a ponto de sentir que o beijava também, e latejava à medida que lábios e língua cumpriam uma trajetória torturante para me fazer gozar. Obedeci. Mansamente, voluptuosamente, para depois procurá-lo também, estar sobre seu corpo, me movimentando em busca do encaixe, e de novo o olho no olho, o gozo arrebatador que afastou de vez o pensamento de que poderíamos ser apenas amigos como antes.





terça-feira, 5 de outubro de 2010

COISAS E COISAS

Coisa libertadora - passar embaixo de uma escada e desafiar as superstições familiares. Oi, tô aqui. Nada me aconteceu depois disso.

Coisa estúpida - tentar tirar em dois minutos um laço muito bem costurado na blusa nova. Deu no quê? Furo na roupa, lógico.

Coisa doida - trocar de esmalte três dias seguidos, para experimentar as belezuras que mamã trouxe da Alemanha. São 28 ao todo...

Coisa delicinha - provar, gostar e levar, pela primeira vez na vida, um jeans 36.

Coisa chata - estar gripada há mais de uma semana, tossindo, pigarreando e assoando o nariz. Afff...


É por isso que eu digo: uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010