quinta-feira, 9 de setembro de 2010

onze

APENAS AMIGOS... É?


Eu estava aquecendo a voz para entrar no palco e dei uma geral na plateia enquanto ajeitava o decote. Com o bar cheio e na penumbra ficava quase impossível vislumbrar qualquer rosto conhecido. Gostaria de ter visto Felipe me esperando ali perto do bar. Ai, se ele não vem... Quando liguei, dias atrás, propus uma troca: eu faria qualquer personagem com a condição de que ele fosse me assistir. Ele aceitou com entusiasmo e anunciou que iria sozinho. Bom sinal...

Tom acabou com meus devaneios:

- Vamos lá, Nininha. Vamos ganhar o troco do dia – riu.

Espiei mais uma vez e vi
João na frente do palco. O que esse cara faz aqui logo hoje?

- Tô uma pilha, Tom. Olha quem tá ali.

- Relaxa. O Joãozito tá parecendo tranquilo.

Nem respondi, ele já tinha me puxado pelo braço e deu o primeiro acorde para ver se eu me tocava de que estava no palco. Eu “só” precisava cantar, mesmo com João me encarando e sorrindo, bebendo e sorrindo e me encarando, muito irritante aquilo. E ameaçador. Ele ainda ligava para dizer que não parava de pensar em mim, queria me ver, etc. Eu hein! Um homem como ele não desistiria sem chegar às ultimas consequências e foi pensando nisso que menti sobre um novo - e ciumento - namorado. Ele parou de ligar, mas agora...

Quando estava na segunda música, agarrada ao microfone de tão tensa, achei que tinha visto Felipe perto do balcão e passei a cantar olhando naquela direção. É ele! Por pouco não me perdi com a letra e Tom me olhou feio, o aviso para eu me concentrar. Tá, já entendi. Felipe veio vindo para frente e levantou a mão para mostrar que estava ali. Mas foi parar ao lado de João... que "sorte" a minha. Se já não bastasse isso, João fazia questão de mostrar que me conhecia, levantava o copo para brindar como um bobo. Juro que se estivesse inspirada por uma dose de gim teria jogado o microfone na cabeça do sujeito.

Cantei mais quatro sem tomar fôlego, evitando a cara de idiota do João. Era a fúria me cutucando, roendo por dentro, não só por ele ter caído de paraquedas na frente do palco justamente naquele dia, mas porque talvez não houvesse outra chance de me aproximar de Felipe. Se bem o conhecia, João não iria perder a oportunidade de estragar tudo.

Tom foi sábio na hora do intervalo:

- Vai pro banheiro esfriar a cabeça, Nininha. Eu pego uma bebida no bar.

Ainda olhei Felipe uma última vez, estava suada e com sede e queria ir embora com ele, para a cama dele, para qualquer lugar. O show havia acabado praa mim. Fui empurrando quem estava no caminho para chegar logo ao banheiro feminino, onde estaria protegida. Era o que eu pensava. João entrou com tudo, me jogou contra a parede.

- Quem é ele?

- Ele quem? – me fiz de tonta.

- O do topetinho que tava do meu lado. Pensa que eu não vi o jeito que você olhava pra ele?

- Ei, ei, espera aí. Nós não tamos mais juntos, tá lembrado?

João não respondeu, me beijou. O desgraçado beijava bem mesmo alterado daquele jeito, e pegava bem, sabia onde botava a mão, era gostoso... Mais um pouco e eu pedia um tapa na bunda. Não!

- Ele é meu namorado! – escapou assim que João me deixou respirar. Era uma grande mentira, mas nada que fosse causar mal a ninguém. Bom, era o que eu achava. Uma mentirinha inocente para eu me livrar de uma situação chata.

- Então é ele o “namorado ciumento”?

- É, me larga! – tentei correr, as pernas não foram. Nem sei explicar por que não o empurrei ou fiz qualquer movimento.

- Vamos ver se ele vai ficar com ciúmes de você depois disso.


João me deixou sem calcinha. Era um daqueles modelos com uma tira fina na lateral, que ele não hesitou em arrebentar e jogar no chão. Que merda, lá se vai mais uma... Fomos para um dos cubículos e nos trancamos. Eu fui com ele! O perigo me excitava e eu não pensava em parar. Pode me comer, filho da puta! Estava de saltos como ele gostava, não tão altos, e instigada a ceder. João invadiu o território que conhecia tão bem me xingando de vagabunda, nem liguei. Foi rápido. Algumas estocadas, o olho no olho até gozar, João suando, eu esquecendo de toda a raiva para derreter nas mãos dele. Se ele não fosse tão grudento eu continuaria sendo a namoradinha tarada por tempo indeterminado, só que ele não sabia se controlar. Pior para ele.

- Agora que eu te comi pode ir lá encontrar o namoradinho. Vai!

Fiquei com a bunda grudada na tampa fria da privada por algum tempo, até os resmungos de João se confundirem com o barulho que vinha de fora e tudo virar uma confusão só. Eu ainda queria impressionar Felipe na segunda parte do show. Já pensou se ele me deixa cantar no filme? E iria voltar com tudo se a dona do bar não tivesse me visto toda amarrotada juntando a calcinha do chão.

- Eu vi seu amante saindo do banheiro, moça.

- Não, não é nada disso... - gaguejei.

- Chega, eu não quero saber! Pega tuas coisas e dá o fora!!!

A mulher nem quis que eu fizesse a segunda parte do show. Tentei achar Felipe, procurei João também. Só vi rostos estranhos, mas não pude ficar muito mais, pois o segurança exigiu que eu saísse imediatamente do bar. São ordens, dona Nina, me desculpa.

Esperei por Tom na rua até o fim do show. Ele fez os vocais no meu lugar.

- Perdi o emprego, Tom! O que é que eu vou fazer agora? Posso ficar com você hoje? Eu não queria ir pra casa...

- Isso é uma cantada, Nininha?

- Não brinca. Você é meu amigo. Eu só não quero ter que contar pra Karen agora.

- Beleza. Te dou uma chance.

- Os meninos vão estar lá?

- Vão, mas você dorme comigo. Você não vai se aproveitar de mim?

- Palhaço!

- Ranufo a seu dispor...

- O Ranufo me emprestaria uma cueca? Minha calcinha ficou pra trás.

Dormimos de conchinha na cama de solteiro, no quarto com o resto da banda, quando o dia começava a clarear. Às vezes o pau dele fazia pressão por trás, mas eu jurava que era minha imaginação agindo livremente. Custei a me ajeitar. Não tinha mais o emprego pelo qual havia lutado tanto e o filme ainda era uma incógnita. O que restava? O pau de Tom me incomodando. O pau de Tom que mesmo dentro do calção apontava para mim e parecia querer furar os panos todos para me alcançar e romper barreiras. É sem querer, é sem querer, eu repetia em pensamento como um mantra.

Adormeci com o pau entre as coxas e nem Tom saberia no dia seguinte que eu o havia massageado até quase gozar. Ou saberia?


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

sessão ops

corra, alline, corra

Estou atrasada. Pelo menos quinze minutos, e não é culpa minha, é do motorista do ônibus, viu? Meu ponto é o próximo. Já estou com o cartão de entrada na mão esquerda. Levanto, peço licença pro moço do lado. Ele também levanta, pelo jeito vai saltar no mesmo lugar. Assim que a porta abre, dou um pulo e passo na frente dele. Ele vem atrás! Ando depressa, o máximo que minhas pernas conseguem. E lá vem ele seguindo de perto meus passos. Atravesso a rua, ele atravessa também. Entro no prédio, ele também. Ei, qual é? Cumprimento rapidamente a recepcionista e passo pela catraca. Ele fica no balcão. Ufa! Entro no elevador, que por milagre está parado no térreo. Ele vem vindo! Aperto logo o andar e o botão que fecha o elevador, pensando nas horas que estou devendo. Agora são 3h16! Chego, lavos as mãos, tiro as lentes e me preparo para começar a labuta. Olho para o lado e quem vejo? O moço do ônibus sentado na frente da gerente do financeiro. Ai, não! Fico quietinha no meu canto. De repente ele é só um visitante... Não demora muito um colega aparece:
- Este é o novo webdesigner...
Adivinha minha cara.

domingo, 5 de setembro de 2010

fatos em fotos

Lanchinho light depois do trabalho

Invenção ninja para combater a falta de espaço no varal

A TPM me faz querer cortar cabelo... e eu corto

Lorenzetti Versátil - eu NÃO recomendo

Lavando louça no tanque, ou o que a Lorenzetti Versátil fez comigo

Esmaltólatra assumida e feliz

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

dez

COM UM PÉ NA TELONA

Ouvi Karen falando sobre escolher uma roupa para aquela noite. Vai sair? Me interessei, estava cansada de ficar em casa dedilhando o violão sem conseguir terminar uma música. Posso ir com você?

A princípio Karen resistiu, afinal eu mal conhecia Susi. Susi e Karen eram sócias na loja e amigas desde o colégio, e eu sempre desconfiei que eram amantes também, mas eu não tinha nada a ver com isso. Então Karen contou que Susi estava indo morar com o namorado e para comemorar faria uma reunião para os amigos mais íntimos. Entendo. Se não sou íntima não devo aparecer, certo? Karen frisou que eu seria a única estranha e poderia me entediar com os papos. Mas eu queria tanto...

Ela tinha razão. Não era nada parecido com uma festa, era um encontro de poucas pessoas – contei 12 ao todo – que comiam, fumavam, bebiam e falavam ao mesmo tempo e quase não prestavam atenção em mim, a prima de Karen no pufe do canto com uma cerveja na mão.

Na tentativa de me enturmar, Karen me apresentou a um cenógrafo que tocava baixo e tinha tudo para ser a salvação da minha noite, mas infelizmente não foi. Depois de cinco cervejas a conversa não evoluiu e desisti. Vitinho não parecia ser um cara ruim, só não tinha nada a ver comigo e ainda por cima falava mal do U2. Para não me irritar, pedi licença e menti que tinha que fazer uma ligação urgente e apaguei Vitinho da mente.

Mas o melhor aconteceu antes do jantar. Eu estava apertada e deixei Karen falando sozinha para procurar o banheiro. Desculpa! O social estava ocupado e alguém me disse que havia outro no quarto do casal. Não perguntei se podia, não daria tempo.
Assim eu vou me mijar, meu Deus. Depois eu aviso que dei descarga direitinho.

Desabotoei a calça ainda no escuro e sentei com tudo sem ver que a tampa estava baixada, e senti o contato gelado com o plástico.
Porra! Tampa erguida, repeti o gesto e relaxei enquanto botava para fora o excesso de cerveja. Ai, delícia! Quando me estiquei toda para alcançar o papel higiênico, a luz se acendeu. Mas como se não fui eu? O cara me olhava atônito da porta. Eu ali de calcinha arriada. Susto, dos dois. Instintivamente fechei as pernas de olhos esbugalhados, sem ação. Caralho! OK, ele não tinha culpa de eu ter entrado primeiro e não trancado a porta. Nem por isso a situação era menos constrangedora.

- Que é isso?

- A porta tava aberta...

- Aberta, não. Eu só esqueci de trancar. Dá pra você se virar, por favor?

O ridículo só não foi maior graças à educação do moço, que ficou de costas sem dar um pio. Peguei um bom pedaço de papel higiênico sem descuidar dele, me enxuguei o mais rápido possível e coloquei a calcinha num pulo. Eu não sofria desses pudores de ficar pelada na frente de um homem, mas fazer xixi era muita intimidade para dividir com alguém que eu nunca tinha visto antes.

- Pode deixar que eu dou descarga depois.

Nem respondi. Fui procurar Karen para aliviar a raiva.

- O que é que houve?

- Nada. Acho que bebi demais.

Vi o “nada” saindo de banheiro e acenando para mim. Tomara que tenha lavado a mão! Karen não perdeu a chance:

- Você conheceu o Felipe?

- Quem?!

- Felipe, aquele ali que acabou de abanar pra você.

- Não, deve ter sido pra você. Você não conhece ele?

- É irmão do namorado da Susi. Inteligente, bom papo, sossegado, tudo de bom. Dizem que gosta de uma sacanagem... Se me convidasse eu topava na hora!

- Que sacanagem? - me interessei.

- Ménage, grupal... e olhando você nem imagina.

Então esse era o Felipe? Não acreditei quando ela chamou o cara.

- Karen, eu vou embora!

Ele vinha vindo...

- Fica quieta. Ele dirige filmes e está com um projeto novo. De repente pode te arrumar trabalho.

Ele já estava ali.

- Felipe, esta é minha prima, Nina. Ela é de Floripa. A coitada está batalhando, mas não consegue nada...

Coitada, eu? Que é isso? Desse jeito parecia que eu tinha implorado para ela me apresentar ao cara. E até uns minutos atrás, no banheiro, eu nem tinha ideia de quem ele era!

- Oi... – esperei que ele desse uma boa desculpa e fosse embora.

- Eu dei descarga – avisou.

Karen não entendeu:

- O quê?

- É uma brincadeira nossa. Então a Nina é atriz?

- Não exatamente, mas ela canta! Vou deixar vocês sozinhos para conversarem melhor.

Agradeci a ela baixinho, ainda odiando ter que começar uma conversa com o tal Felipe. Mas se fosse pensar com clareza não deveria ser hostil, pois ele poderia ser útil. Eu precisava de trabalho e de dinheiro, e ele tinha como me ajudar. Ainda bem que não era de se jogar fora.

- A Karen não tem jeito.

- Vocês são primas mesmo?

- Claro. Por quê?

- Achei que você era namorada dela.

- ...

Ele não falou mais no que aconteceu no banheiro, senti que não era um abusado qualquer a fim de tirar partido do incidente. E é claro que quis me levar no fim da noite. Enquanto eu fazia o papel de boa ouvinte, ele parou o carro no lugar que indiquei, tirou o cinto e se virou para mim.
Agora ele vai tentar alguma coisa? Também me virei, olhando-o nos olhos. Porra, tô até suando.

- Queria que você viesse me ver no escritório. Posso arrumar um papel pra você... Se você tiver interesse...

- Quero. Quero, sim!

Procurei um abraço de agradecimento para ver a reação dele. E dei um jeito, pela proximidade, de o abraço virar um beijo sem precisar forçar nada. Sabe quando não há outra saída senão o encontro dos lábios? E eu quase abri o zíper da calça dele, foi automático. Era a curiosidade, a vontade. E ele reagiu me puxando inteira para ele, de maneira que não pude escapar. Estava pressionada contra seu corpo, presa nos braços do estranho que parecia prometer loucuras.
Grito ou tento correr?

Saí do carro sem encostar um dedo no pau dele, porque se ficasse seria capaz de amolecer, me livrar da calcinha, sentar nas coxas dele e deixar rolar. Aí talvez ele nem me chamasse mais para o filme.
Boa menina! Mas numa próxima eu já não poderia prometer nada.



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

¡Ay, que rico!

Cofre por cofre, prefiro os cheios de tesouros, como o do Tio Patinhas. Aqueles peludos, que espiam pela fresta da cueca, não faço questão de ver, não. Que fiquem soterrados pela roupa, pelamorde. Pudor, nesse caso, faz toda a diferença, meu bem.